Quando o assunto é séries originais com selo NETFLIX, a ideia é que vem coisa boa pela frente.

Em seu primeiro FILME original, eu não esperava tanto. Assim como não esperei de House Of Cards. E que bom que me enganei.

Beasts of No Nation não só é um ótimo filme, como é talvez o primeiro do gênero a mostrar o ponto de vista de uma guerra (coisa tão repetitiva no cinema) aos olhos de uma criança guerrilheira. E isto é o ponto forte, emblemático, massacrante e triste deste filme.

Abraham Attah (que devido à sua performance, pra mim, será um novo Idris Elba) interpreta Agu, um garoto comum, que tem sua família nos moldes normais, em um país que está em guerra.
É interessante ver como a infância é legal, até neste ponto, nos dá saudade de brincar e fazer tudo de quando somos pequenos, sem medo ou preocupação.

A história se segue quando os grupos em guerra se encaminham para o vilarejo de Agu. E é aqui que o filme toma seus moldes.

Após perder toda sua família (não é spoiler, pode ser visto nos trailers), Agu é encontrado na selva pelo “Comandante” – (interpretado por quem? Idris Elba!, e um dos únicos atores profissionais do longa, o que realmente não parece) – que pelo simples fato de não mata-lo, faz com que Agu deva se tornar um soldado.

Nesse ponto podemos ver como a convicção em algo pode se tornar tão perigoso. Agu até então era um garoto normal, mas precisa se tornar algo que não imagina, simplesmente para se manter vivo.

A forma como o NETFLIX mostra isso no filme é arriscado porque, para nós que não estamos num país em guerra (da forma que é retratada no filme), as cenas são tão fortes, chocantes e angustiantes que nos fazem lembrar que aquilo realmente é a realidade.

O próprio Comandante não sabe por quem luta, mas sabe que deve matar quem não é dos seus. Assim como os extremistas, os psicopatas. Tudo movido pela convicção de que aquilo é o certo. Novamente me lembro da frase dita em A Origem: “Uma ideia é como um vírus. Resistente. Altamente contagioso…” e depois de ver certas cenas do filme, tenho certeza que o mal é apenas uma ideia a ser alimentada.

Por fim, o longa começa intenso, ganha ares chocantes e terríveis, mas se prolonga demais fazendo a jornada de Agu muito cansativa.

“Beasts of No Nation” é, com certeza, apenas o primeiro de muitos projetos ousados da Netflix para o cinema, como foi “House of Cards” para a TV. A produção é muito bem feita e a direção realmente impressiona – não surpreende se o filme for lembrado quando chegar o momento de definirem os indicados ao Oscar 2016. Para quem ainda não viu, fica a dica: respire fundo e vá em frente. É pesado, mas é melhor do que muita coisa que você vai ver nos cinemas este ano.