Filmes complexos, sobre comportamento, inclusão social e intelectual devem ser tratados com muito carinho, pois há alguém do outro lado da tela que com certeza perceberá se aquilo “é real” ou se a fantasia apresentada é uma enorme bobagem que mais prejudica do que ajuda quem realmente precisa.

Christian Wolff (Affleck) tem  mais afinidade por números do que por pessoas. Tendo um escritório de contabilidade em uma cidadezinha como fachada, ele trabalha como contador autônomo para algumas das mais perigosas organizações criminosas do mundo.

Com o Departamento Criminal do Ministério da Fazenda, coordenado por Ray King (J.K. Simmons), começando a fechar o cerco, Christian aceita um cliente legítimo: uma empresa de robótica de última geração onde uma assistente de contabilidade (Anna Kendrick) descobre uma discrepância envolvendo milhões de dólares, e eles acabam se envolvendo em algo muito mais perigoso que os criminosos com quem ele interage.

Apesar de um primeiro ato confuso, Affleck cumpre o seu papel e Chris foi um personagem que deu ao novo Batman a oportunidade de mostrar o quanto a mente pode controlar o corpo levando a pessoa a comportamentos extremos, indo além do número exatos de talheres em uma gaveta, a obsessão por contar tudo o que faz ou até mesmo a frustração em não ter terminado uma tarefa, levando-o ao autoflagelo.

Os outros personagens são como a cereja nesse bolo e o thriller de ação mostra-se previsível no final, apesar de uma reviravolta e uma explicação do “porquê” das coisas. Mas afinal o que valeu mesmo foi o laboratório de Affleck como Bruce Wayne, digo, Chris Wolff. E acreditem, eu contei todas as ações do personagem.

O trecho abaixo contém SPOILERS.

Em uma família com três irmãos o personagem de Affleck, Chris, não era o único Autista. Sua irmã mais velha apresenta um quadro mais alto, enquanto o irmão mais novo não apresenta nenhum distúrbio. Na década de 60 o tratamento para pessoas autistas eram mais intuitivas do que científicas e isto fica bem claro no começo do filme. Os pais de Chris tinham opiniões diferentes de como conviver com o menino “rebelde”. Sua mãe insistia que o jovem fosse levado a uma clínica enquanto o pai achava que a “raiva” de seu filho deveria ser canalizada através de um treinamento militar.  No material de imprensa que recebi está descrito que o personagem Chris sofre da Síndrome de Savant e no outro da Síndrome de Asperger, que apesar de serem ligadas ao Autismo Nível 1 levam a diferentes comportamentos. Eis que surge a dúvida, como nos filmes anteriormente citados nesta crítica será que O Contador cumprirá a tarefa de apresentar ao público de maneira próxima da realidade o cotidiano de pessoas e famílias nestas condições?