Após assistir O Lar das Crianças Peculiares, “novo” filme de Tim Burton – que me deu a impressão de já ter visto o filme 10 vezes – tive a dura missão de fazer essa critica. O excesso de repetições estéticas que deixaram de ser uma marca do diretor e agora parecem mais preguiça criativa mesmo, o enredo picotado e extremamente arrastado me desafiou somente a ficar acordado durante a sessão.

Baseado no livro homônimo de Ransom Riggs lançado em 2011. O filme conta a história de Jake (Asa Butterfield), um garoto de 16 anos que leva uma vida ordinária na Flórida. Após a morte misteriosa de seu avô e melhor amigo Abe (Terence Stamp), ele tenta juntar os pedaços da sua vida e acaba seguindo os passos de seu avô que sempre contou a história sobre o orfanato Senhora Pelegrine para crianças peculiares no país de Gales.

O filme falha ao tentar criar uma conexão dos personagens com o público, muito em vista das atuações apáticas da maioria do elenco que não tem uma química boa. Isso atrapalha muito no momento de climax do filme, pois como vamos torcer para protagonistas sem alma e carisma?

As cores marcantes, sempre presentes nos filmes de Tim Burton estão presentes e deixam o filme bonito, mas infelizmente não conseguem segurar toda a falta de foco do filme.

Samuel L. Jackson é o grande vilão da trama, porém com o excessivo número de apresentações em uma introdução que ocupa praticamente dois terços do filme, é melhor explorado apenas no terceiro ato. Para crianças menores, seu visual medonho pode ser assustador demais. Eva Green está ótima como a misteriosa Miss Peregrine, consegue fazer sua personagem se conectar com o público apenas com seu olhar. Uma personagem carismática que merecia mais tempo em tela. Para os fãs da obra literária, e mais ortodoxos ao material original, preparem-se, pois há adaptações feitas no roteiro que mudam inclusive o protagonismo do filme. Não li a obra, mas pelo que me explicaram, prefiro o que foi retratado no filme.

Destaque positivo para a trilha sonora que é fantástica. Em todos os momentos de tensão e de aventura, a trilha acompanha de maneira formidável e nos coloca junto com aquelas pessoas e destinos.

O Lar das Crianças Peculiares é um filme que tinha um potencial absurdo, mas se perdeu na falta de atitude dos vilões e pouca consistência nas regras que o mundo nos apresentou. De qualquer maneira, acho que é um filme que será apreciado por quem é fã das características visuais que o diretor sempre emprega em suas obras. Seria injusto dizer que o filme é ruim, mas é triste ver que poderia ser mais.