Desilusão, crises existenciais e relações conturbadas dão o tom no novo “Star Trek: Sem Fronteiras” (2016). O filme dirigido por Justin Lin – substitituto de J.J. Abrams que dirigiu os dois primeiros filmes da nova saga – continua focando mais em cenas de ação, deixando os diálogos que eram característicos da série original um pouco de lado. O que faz a tentativa de buscar um filme que desafie o espectador intelectualmente seja falha.

Uma das polêmicas que foram geradas antes do lançamento era sobre a sexualidade do personagem Sulu (John Cho) que foi revelado ser homossexual. Vários fãs se disseram contra a decisão por motivos diversos – nada mais do que desculpas pra esconder o preconceito – inclusive recebendo criticas de George Takei, o Sulu original. Devido as polemizas os produtores decidiram cortar uma cena em que Sulu beijava seu marido, mas mantiveram o personagem como uma ponta de representatividade no filme.

O enredo escrito pelo sensacional Simon Pegg (que também retorna com seu simpático Scott) e Doug Jung começa com uma retomada curta dos acontecimentos nos anos que se passaram desde o ultimo filme. Vemos um crescimento da tripulação da U.S.S Enterprise e os problemas que anos de relacionamento ininterrupto podem gerar. Aqui vemos o Capitão James T. Kirk (Chris Pine) passando por um momento de reflexão do seu papel como comandante da tripulação. Enquanto isso Spok (Zachary Quinto) e Uhura (Zoe Saldana) estão passando por problemas em seu relacionamento amoroso. Logo no inicio vemos duas homenagens que o filme faz pelo falecimento de Leonard Nimoy (Dr. Spok da série original e  Embaixador Spok na nova franquia) e o brinde entre o Capitão Kirk e o Doutor McCoy (Karl Urban) em homenagem a Anton Yelchin que interpretou Chekov nos três primeiros filmes.

StarTrek-Gallery-13 Crítica | Star Trek Sem FronteirasUhura e Sulu

Os problemas são deixados de lado quando em uma nova missão a tripulação é capturada pelo vilão Krall (Idris Elba como sempre roubando a cena), que planeja dar um golpe na Federação de forma espúria. O desenrolar na história para chegar até os motivos reais do vilão é um ponto positivo do roteiro, além das piadas nerds que vemos em todo o filme.

A necessidade de estar ter explicações “científicas” o tempo todo cansa um pouco pelo exagero, não servindo como um pilar para a história e sim mais como uma enrolação para ganhar mais tempo pra outra explosão.

Mesmo com alguns deslizes na história, “Star Trek: Sem Fronteiras” é um filme divertido e que segue a tendência dos primeiros dois filmes de agradar os fãs antigos e conquistar novas audiências.