Devo começar esta crítica dizendo que Trainspotting: Sem Limites, filme de 1996, é um dos meus filmes favoritos, figurando facilmente entre o meu TOP 5.

Dito isso, acredito que dá para imaginar a minha expectativa em relação a uma continuação direta da história, com aqueles personagens que eu tanto me apeguei quando vi o filme pela primeira vez quando eu era um adolescente.

Trainspotting 2 – dirigido pelo mesmo diretor do primeiro filme, o inglês Danny Boile (127 horas, Steve Jobs) – tinha tudo para ser um filme inesquecível. Afinal de contas, é uma sequência de um filme cultuado e aclamado, tanto por público quanto crítica especializada.

Porém toda essa aura cult em relação ao primeiro filme parece não ter feito muito bem ao seu sucessor. O filme peca em não sair da sombra da obra original e acaba sendo exageradamente autocontemplativo. Diria até que em alguns momentos senti que o filme era uma mera homenagem ao filme de 96.

Não é como se o filme fosse péssimo, não conseguiria achar o filme ruim tendo um apelo nostálgico tão grande. Mas podia ser melhor. Tinha potencial para ser!

Era inevitável que as referências ao primeiro filme iriam existir. Mas dá para fazer de uma forma mais sutil, com mais objetivo para o enredo do novo filme, sem precisar, por exemplo, mostrar cenas do primeiro filme como acontece em vários momentos.

Renton (Ewan McGregor) não precisava recitar uma versão atualizada da icônica fala de abertura “Choose Life”. Tudo bem, é uma fala poderosa e as críticas permaneceram relevantes, mas precisava fazer assim, dessa forma? Dava para fazer críticas de um novo modo e da mesma forma impactante, sem precisar se repetir e se segurar no que deu certo no passado.

A história em si acaba ficando em segundo plano e acaba tendo uma estrutura bem simples, inclusive parecida também com o primeiro filme. A diferença aqui, talvez, que as drogas não tenham tanta enfâse como aconteceu antes.

Para os fãs, vale a pena ver o filme como uma espécie de tributo.

Aos que não assistiram Trainspotting de 1996, vale a pena assistí-lo. “Aquilo era filme!“. Acho que era essa mensagem que o segundo filme quis passar.