Ao som de Space Oddity de David Bowie, somos levados numa jornada mostrando a evolução da estação espacial Alpha, onde a raça humana ao longo do tempo vai desenvolvendo relações e dividindo espaço com milhares de espécies alienígenas, formando a cidade dos mil planetas.

Agora estamos num planeta paradisíaco, com habitantes à la Avatar, pacíficos, lindos, felizes e com as emoções literalmente a flor da pele e que de repente é atingido direta e crucialmente pela batalha de dois povos que nada tinham a ver com eles.

A partir de então, começa a aventura dos agentes espaço – temporais Major Valerian e Sargento Laureline vividos por Dane Dehaan (O Espetacular Homem-Aranha 2) e Cara Delevingne (Esquadrão Suicida) que no meio de uma missão se veem envolvidos em uma conspiração intergaláctica que une as duas histórias anteriores e eles precisam desvendar um mistério e salvar a cidade dos mil planetas e a própria humanidade.

valerian_and_the_city_of_a_thousand_planets_2017-wide-1024x640 Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Ambientado no século 28, o diretor Luc Besson (Lucy, 2014) usa e abusa de efeitos especiais deslumbrantes, um colorido como há muito não se via no cinema (não tem como não lembrar de O Quinto Elemento, do mesmo diretor) embora o roteiro não traga muitas surpresas, mocinha salva mocinho, mocinho salva mocinha mas nunca vemos um perigo real e emocionante de verdade.

A Space Opera tenta trazer a tona assuntos como imigração ilegal, política externa e amor, mas sem complexidade, o que pode passar batido para alguns. Clive Owen como o General Arün Filitti não consegue transmitir a densidade que seu personagem precisa, mas temos uma boa surpresa com a estrela pop Rihana, numa participação simples mas bem-feita como a imigrante ilegal alienígena Bubble. Ethan Hawk como o excêntrico Jolly The Pimp bem que poderia ter uma participação maior, e a dupla de protagonistas até que tem química, mas nada extraordinário.

O destaque fica mesmo para os cenários e os efeitos especiais, como o lindo planeta Mül e a cena do Grande Mercado, que tem um milhão de lojas e 500 níveis, todos em outra dimensão e que demorou nada menos que 6 semanas de filmagem e outros 2 anos de trabalho de efeitos especiais com uma equipe internacional (inclusive brasileiros). É claro o cuidado que a produção teve com a criação de cada criatura alienígena (mais de 200 espécies diferentes) e com a experiência visual que Besson quer nos proporcionar e isso faz o longa valer a pena.

Inspirado numa série de HQs criada em 1967 por Pierre Christin e Jean Claude Mézières, o filme traz humor, entretenimento e uma aventura visual que valem o ingresso, e os mais nerds vão gostar de caçar as inspirações claras usadas por Star Wars e também por outros filmes de Luc Besson, fã declarado do quadrinho francês.