Iniciando o ano de 2017 iremos conhecer Nat Borges (Ino), nascida em SP, também viveu na Irlanda. Atualmente trabalha em uma empresa de softwares para telecomunicações e também faz eventos pela Warner. Formada em biomedicina, essa futura cientista é apaixonada por cosplays desde criança. Aos 4 anos de idade ganhou uma fantasia de Mulher Maravilha e nunca mais parou. O Estação Nerd conversa com Nat Borges:

EN: A maioria das meninas sonha em ser uma princesa, você aos 4 anos se tornou uma, só que uma princesa amazona. Descreva um pouco desse sentimento que te acompanha desde criança, a escolha do personagem, trabalho de criação, imprevistos.

NB: Como toda criança, eu adorava ver desenhos e tokusatsus da época, e é claro, todos queremos ser heróis. Ou pelo menos queríamos, na época. Minha mãe já havia me dado uma fantasia de fada no mesmo ano, no meu aniversário de 4 anos, e eu amei (amava fadinhas, bruxas, gnomos, etc), aí no dia das crianças meus pais compraram duas fantasias de Mulher Maravilha: uma pra minha irmã que era muuuuiiiiito fã da MM, e uma pra mim, que ganhei por tabela, pois gostava, mas não era tão fã assim como minha irmã, e aí tínhamos duas meninas maravilha laçando os gatos e os pés da mesa no jantar, rsrs. Todo ano na escola tinha alguma comemoração ou evento que necessitava aluno fantasiado. Enquanto os outros detestavam, eu adorava. Já me vesti de Emilia, de egipcia, de flor, de chiquititas, de E.T., de soldado, enfim, a cada feira cultural na escola, lá estava eu toda feliz com minhas fantasias. Sempre tive uma queda por cosplays mais “darks”, adorava me vestir de vampira, e também de ninja (amarrava tiras de tecido na testa), mas meus pais nunca me impediram de me vestir do que eu tinha vontade. Eu amava Sailor Moon, Cavaleiros, Rayearth, Sakura Card Captors, e era absurdamente fanática por Power rangers, mas na época não existiam cosmakers, e as fantasias prontas de PR eram de um material péssimo, o capacete era uma máscara daqueles plásticos moles que quebram no primeiro uso. Aí nos anos 2000 aconteciam pequenas reuniões de fãs de desenho japonês e eu comecei a ir com um amigo que também gostava das mesmas coisas. A primeira vez que fomos, tinha menos de 50 pessoas, e na época ainda não tinha a denominação “cosplay”. Até existia, mas era pouco usado. Fomos fantasiados de ninjas, justamente por gostar de personagens da cultura japonesa que conhecíamos. Mas foi um evento ótimo, aos poucos fomos conhecendo pessoas que também tinham vontade de se vestir, e dois anos depois disso, já tínhamos nossos primeiros cosplays de verdade, que nós mesmos fizemos com ajuda da minha mãe. Fui de Ino, e ele de Sasuke do anime Naruto. Em evento se vc estava de cosplay, era chamado pelo personagem que vestia. E desde então, uma legião de colegas até hoje só me chamam por “Ino”. O critério que uso pra escolher qual cosplay fazer, é: o personagem precisa ter pelo menos três características nas quais eu me identifico. Tanto na personalidade quanto na aparência. Se não tem nada a ver comigo, eu não faço, a não ser que seja para trabalho.

Harley-Quinn Entrevista Nat Borges (Ino)

EN: Hoje em dia percebemos que o interesse das pessoas por cosplays está aumentando, até uns 10 anos atrás isso era meio restrito. Você acha que esse interesse e curiosidade está caminhando lado a lado com o respeito pelos cosplayers ?

NB: Creio que respeito havia muito mais antigamente. Pode parecer surreal o que direi agora, mas hoje em dia a falta de respeito ocorre entre os próprios copslayers. Em outros tempos, você vestia o que podia, o que conseguia montar, ia pra evento, se divertia, e todos voltavam pra casa feliz com seu “cospobre”. Hoje há muita competição fora de palco, por “pessoas” que se acham melhores que outras, porque tiveram oportunidade $$$ de ter um cosplay tunado e na maioria das vezes nem é tão fã assim do personagem, só fez porque achou que fosse chamar mais atenção, enquanto o outro, que ama o personagem, não teve condições de fazer o cosplay perfeito, é julgado e criticado, olham torto pra ele, ficam colocando defeito, ou colocam defeito no físico da pessoa (muito gordo, muito baixo, muito sem peito, muito magrelo, etc). É horrível, você sai do evento derrotado, você paga pra entrar, pra curtir o evento, e é obrigado a escutar tiração de sarro de gente que nem te conhece. Se eu saio fantasiada na rua da minha casa, a galera acha incrível. Se eu pego metrô fantasiada, ninguém tenta me inferiorizar por eu estar de cosplay. E aí, sou ofendida em local próprio pra cosplayers? Por situações assim, pessoas deixaram de freqüentar alguns eventos. E particularmente, na minha opinião, infelizmente há tempos os eventos de cosplay deixaram de ter real sentido e tudo virou um palco de concurso de quem ofende mais. Aí não dá pra entender, né?

Nat-Vader Entrevista Nat Borges (Ino)

EN: Você já participou de vários eventos, acredito que além de fãs adultos, o amor das crianças deve ser algo incrível. Conte alguma situação engraçada ou muito emocionante que passou com alguma criança.

NB: No último aniversário que fiz, as crianças fizeram fila pra eu “congelar” os refrigerantes delas porque estava calor demais. Estava de Elsa. De finais de semana faço ação social com ONG’s e é sempre emocionante a reação das crianças, pra eles nós somos heróis e princesas de verdade, ficam super felizes. O que entristece é que alguns estão com doenças terminais e pedem ajuda pra voltarem a brincar e comer normalmente e não temos poderes pra tirá-los desta situação. Ano passado, quando estava de Super Girl, já precisava ir embora e uma garotinha grudou nas minhas pernas e começou a chorar porque não queria que eu fosse. Ela tinha LMC e estava bem debilitada já. Foi difícil deixar ela lá. Peguei elevador engolindo o choro, pois no mesmo ano já havíamos perdido um dos meninos pela mesma doença.

Rider-Fate-Stay-Night Entrevista Nat Borges (Ino)

EN: Conseguiria listar alguns cosplays que já fez ?

NB: Acho que sim, vou colocando conforme for lembrando:

Daenerys Targaryen (Versões: Dothraki, Wedding, Qarth, Meereen) – Game of Thrones
SpiderGwen (Gwen Stacy) – Spider Verse
BabyDoll – SuckerPunch
Tauriel – The Hobbit
Luna Lovegood (Versões: Uniforme; Half-blood Prince) – Harry Potter
Wonder Woman – Batman X Superman
Wonder Woman – Wonder Woman (Versões: tradicional e série piloto)
Bilbo Baggins: The Hobbit
Capitão América (fem) – Capitão América
Anabelle – Invocação do Mal
Supergirl (Versões: tradicional e desenho) – Supergirl
Elsa – Frozen
Lagertha – Vikings
Darth Vader (fem) – Star Wars
Padmé Amidala – Star Wars I
Padmé Amidala – Star Wars II
Black Widow – Avengers
Alice – Resident Evil
Harley Quinn – Suicide Squad
Gwen Stacy – Amazing Spider Man II
Beatrix Kiddo – Kill Bill
Mary Jane – Spider Man
Tiffany – A Noiva de Chucky
Alice – Alice in Wonderland
Victoria – Twilight
Zoe – AHS
Catwoman – Batman
Sarah – The Craft
Emma Frost – X-Men
Ino Yamanaka (Todas as versões) – Naruto / Naruto Shipudden
Gaara – Naruto
Sasuke (fem) – Naruto
Misa Amane – Death Note
Yachiru Kusajishi – Bleach
Nana – Nana
Rider – Fate Stay Night
Lucy – Elfen Lied
Tsumugi Kotobuki – K-On
Maka Albarn – Soul Eater
Frankie – Monster High
Casey Lynch – Guitar Hero
Luigi (fem) – Mario Bros
Zelda – Zelda Skyward Sword
Fionna – Adventure Time
Juliet Starling – Lollipop Chainsaw
Serena – Pokémon XY

Spider-Gwen-Spider-Verse Entrevista Nat Borges (Ino)

EN: Existe algum personagem que você sempre sonhou em fazer mas que ainda não considera o momento ? E porquê?

NB: Sempre sonhei em fazer a Kimberly (Power Rangers), mas tenho um pouco de receio que não fique bom. A roupa é de lycra e é pink! Nem todo cosmaker consegue fazer idêntico.

EN: No seu ponto de vista, me diga uma coisa positiva em se fazer cosplay e uma que pode se tornar negativa.

NB: Negativa eu não consigo pensar em um motivo, a não ser de pessoas que esquecem de viver sua vida real e só pensam em cosplay, cosplay, cosplay… Se virar uma obsessão, perde toda a magia. A positiva é entrosar pessoas tímidas, “excluídas”, reunir muita gente em um local só que gostam das mesmas coisas, e o legal é levar cosplay como uma terapia relaxante. Você esquece seus problemas, entra no clima e sai causando com os amigos e fãs do personagem. Tem que rir, se divertir, viver situações engraçadas. É um HAKUNA MATATA constante!

Luna-Lovegood Entrevista Nat Borges (Ino)

EN: Qual é o sentimento em se fazer um cosplay de um personagem que você é fã?

NB: É incrível o sentimento de estar representando algo que eu goste. Quando as pessoas pedem pra tirar foto e elogiam, vem aquela mensagem de “well done” na mente. Afinal, confeccionar roupa de cosplay e acessórios, demora, dá trabalho, a gente vira noites arrumando tudo, ou até consegue garimpar e comprar algo pronto, e quando é reconhecido, é bem gratificante. Quanto mais parecido, mais o fã do personagem se surpreende quando vê. E olha que meus cosplays não são nem 50% dessa galera que ganha concurso e tal. O melhor ainda é fazer cosplay do meu personagem, de dupla ou grupo do mesmo filme/animação. Casal cosplay/grupo cosplay, melhor coisa.

EN: Para finalizar, esse espaço é para deixar uma mensagem para fãs, amigos, pessoas que querem fazer cosplay, falar sobre sobre eventos, enfim, é todo seu .

NB: Haha, eu não tenho fãs, mas muitos amigos que fiz foi no meio cosplay. Foram anos conhecendo pessoas ótimas (e algumas nem tão ótimas também, infelizmente), tenho boas memórias de tudo o que eu já fiz, de cada cosplay que eu usei, de cada elogio e cada crítica que já me fizeram, e sou grata por cada momento que vivi, principalmente na fase “Naruto”. Se você quer fazer cosplay, FAÇA. Que seja cospobre, que seja cosplay, que seja. As vezes a gente procrastina nossas vontades, e quando nos demos conta, já não temos mais a empolgação, e bate o arrependimento de não ter feito. Tem que largar o medo e a vergonha, a gente não sabe se só se vive uma vez. O tempo passa depressa demais e a vida nos tira de cena quando menos esperamos. Meu único conselho é: vista seu cosplay e faça seu Hakuna Matata acontecer!