Quando o livro “O Herdeiro do Império” foi lançado em 1991 pelo escritor Timothy Zahn, após longos oito anos do final da trilogia clássica, os fãs de Star Wars de todo o mundo tiveram o primeiro contato com o que chamamos hoje de “Universo Expandido”, uma vasta gama de conteúdo (alguns oficiais e outros não), mostrando a história por trás da história, tudo aquilo que os três filmes clássicos não mostraram, antes, durante e depois. Para quem ama Star Wars nada poderia ter sido melhor. Depois desse livro, vieram mais dois, completando assim a Triologia Thrawn. Não é preciso dizer que foram um sucesso em todos os sentidos, dando vida novamente ao universo que tanto gostamos.

Bom, mas essa trilogia é assunto pra outra hora, viemos falar de um livro que pode ser considerado um dos melhores do Universo Expandido oficial.

Estrelas Perdidas, de Claudia Grey, se passa em conjunto com a história da trilogia clássica, só que visto por outro ângulo, o do Império.

estrelas-perdidas-star-wars-osnosdarede3 Estrelas Perdidas, um dos melhores livros do universo expandido Star Wars

Mas antes de chegar lá, tenho que começar contando um pouco da história principal, mas pode ficar tranquilo, sem spoilers. A história começa em um planeta (quase) esquecido da Orla Exterior, Jelucan. Um planeta que foi ocupado pelo recém formado Império Galáctico, que o viu apenas como mais um planeta a ter seus recursos minerais usados em favor do Imperador. Jelucan já estava sendo colonizado antes da chegada do Império, que obviamente tomou conta de tudo e subjugou os habitantes, um grupo de pessoas simples e extremamente honestas chamadas de Habitantes do Vale. A promessa de lucro fácil e grandes recompensas, também trouxe a esse planeta pessoas que formaram a primeira comunidade “civilizada”, chamados de A Segunda leva. E é ai que nossa história com uma pitada de Shakespeare começa.

Ciena Ree é uma menininha de oito anos, filha de mineradores humildes e que nunca teve ambições na vida. Thane Kyrell por outro lado, também tinha oito anos mas vinha de uma família aristocrata e tinha seu futuro traçado, seguindo os passos do pai como um dono de minas.

Essas duas crianças apesar de viverem em realidades tão distantes, possuíam uma afinidade em comum. Naves espaciais. Então, num belo dia, em uma parada organizada pelo Império para mostrar seu poderio militar ao povo daquele planeta, o destino se encarregou de colocar os dois em uma enrascada para conhecer uma nave espacial classe Lambda (a mesma usada por Darth Vader). Após esse encontro, nascia ali uma amizade que se tornaria cada vez mais forte com o tempo.

A autora conseguiu captar com maestria a essência da personalidade dos protagonistas e colocá-las na história de forma fluida e empolgante. Desde o momento em que eles se conhecem você já gosta e torce por eles, desde quando fazem o teste para a academia imperial, o leitor se envolve em seus medos e dificuldades (apesar de se destacarem em tudo que fazem).

A medida em que a história avança e os personagens vão descobrindo que o tão idolatrado Império não era aquilo que pensavam, o nosso querido casal começa a ir para lados diferentes. Thane discorda do modo cruel como o Império trata os prisioneiros e como ele acaba com mundos inteiros pelos seus recursos. Ciena por sua vez, tem um bom coração, mas é extremamente leal pois foi ensinada a ser assim por seus pais, e tenta achar justificativas para as ações do Império. Como tinha falado anteriormente, os acontecimentos dos filmes se passam junto com os do livro, então, quando a Estrela da Morte destrói o planeta Alderaan, é a gota d’água para a ruptura entre Ciena e Thane.

Um outro fato interessante destacado pela autora e na minha opinião brilhante, foi que nem todos os oficiais concordaram com a destruição gratuita de Alderaan. Inclusive haviam nativos do planeta e amigos de Ciena e Thane que viram seu planeta ser destruído e não podiam fazer nada, pois a lealdade ao Império era tudo. O Império era formado também por pessoas boas mas que eram obrigadas a fazer coisas monstruosas, pessoas que tinham ideais pacíficos e que ajudaram a construir a Estrela da Morte sem saber o que ela faria e que morreram em vão quando a Luke a destruiu.

A partir desse momento, a história começa a ficar mais dramática com a separação do casal principal, e com Thane se juntando à Rebelião. Muitas batalhas como Hoth e Endor, são retratadas do ponto de vista de Thane e Ciena, Rebelião e Império. Mas enfim, vou parar por aqui pois senão contarei coisas demais e o livro perderá a graça.

E para finalizar, está escrito na própria contra capa: “Um livro indispensável para todos os fãs de Star Wars, e para todos os apreciadores de uma boa história.”. Realmente não poderia descrever melhor! Uma ótima leitura e que a Força esteja com você!