Poucos filmes me deram uma carga sentimental tão complexa em sua exibição. A sua maioria eram dramas ou filmes baseados em fatos reais. Mas não imaginava tudo isso em LOGAN.

Logan finalmente é o Wolverine adulto. Desde a classificação do filme, que (AINDA BEM) é +18, à atuação e carga dramática. Pra quem esperava um filme pesado em todos os sentidos e bem mais fiel as HQs, LOGAN se superou. O filme nos fala sobre um futuro próximo (2025 para ser exato), onde os mutantes pararam de nascer, e os demais, morreram; restando apenas Logan, Xavier e Caliban.

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Xavier, que com 90 anos de idade e saúde mental decadente é o operador dramático do filme, em suas mais altas cargas. Patrick Stewart retrata Xavier como um homem que parece prestes a se quebrar, falando com uma voz trêmula e frágil, um velhinho que pouco lembra o homem que Magneto considerava um adversário à sua altura. E como dói ver ele desta forma. Me fez lembrar meu avô, com Alzheimer, teimando em querer saber das coisas, mas dependendo de tudo e todos.

Já a pequena Dafne Keen é uma revelação, conferindo um olhar intenso e um autêntico ar ameaçador a Laura que no filme é a X-23, projeto genético criado em laboratório, e que, graças a classificação do filme, se mostra como uma “pequena assassina” com força sobre-humana e impiedosa, mesmo para uma criança. E sim, me lembrava dos quadrinhos onde ela fazia o mesmo.

Logan (Wolverine) é o ar abatido do filme. Velho, manco e com poder de cura muito prejudicado, ele sofre (em todos os aspectos) tentando ser alguém que um dia foi, e que ele mesmo não quis ser. O herói apresentado neste derradeiro capítulo é, enfim, um homem cujo corpo está finalmente alcançando as ruínas de seu estado emocional.

A 17 anos no papel de Wolverine, Hugh Jackman, poderia simplesmente ser o Wolverine mais uma vez. Mas neste caso, ele se entrega 1000% ao filme, o que o faz ser magnífico.

A cenas de ação que se desenrolam com os Carniceiros – caçadores de mutantes – são, TODAS ELAS, extremamente brutais, sangrentas e sem pudor; do jeito que o real fã de Wolverine queria ver.

Logan é uma experiência visceral que chega como um soco na boca e que deixa o gosto agridoce do questionamento sobre a vida e sobre a morte, acerca do passado e das escolhas erradas que nele ficaram e também sobre a possibilidade de uma redenção. Talvez o filme não agrade àqueles que buscam algo similar aos outros filmes de super-herói, mas certamente irá encantar todos os que buscam um drama melancólico, ríspido, dolorido, triste, sangrento, brutal, tenso em muitos momentos, mas acima de tudo humano.

O filme estréia dia 2 de Março.