A anos escrevendo sobre filmes, sempre imaginei como poderia ser um filme solo da Mulher-Maravilha. Até porquê, os filmes de heróis datam-se de décadas atrás, e nessa pegada, já víamos SUPERMAN voar em sua maravilhosa estréia em 1978.

Mas notem que, Superman, Batman, Homem-Aranha, Vingadores e demais, são filmes baseados em quadrinhos. Quadrinhos estes que já formavam a liga da justiça em The Brave and the Bold #28, lançado em 1960! Desde então a supremacia masculina como heróis (no cinema) era inquestionável. Mesmo tendo ali, na liga da justiça, a Mulher-Maravilha, que na TV foi representada pela inesquecível Lynda Carter, mas como série! Mas já voltaremos aqui.

Mulher-Maravilha, O FILME (maiúsculo mesmo), não vem só quebrar o paradigma que a DC não sabe fazer bons filmes – e sim, pra vocês que me disseram muitas vezes que a MARVEL me patrocinava para falar bem apenas com filmes dela, DC, você tem meu respeito – não, o filme é MUITO MAIS QUE ISSO. MUITO MAIS. A DC consegue sim fazer um maravilhoso filme, com roteiro, fotografia, atuações, direção, impecáveis. Mas acima de tudo a DC conseguiu fazer um filme da maior heroína de todos de uma forma pura, condizente, decente, transformador e com respeito a imagem não só do símbolo super poderoso que ela representa como heroína, mas do símbolo feminino super-poderoso que ela é!

Gal Gadot, não é só impecável em entender todo conceito da Amazona Diana até ela se tornar a Mulher-Maravilha. Ela é perfeita.

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É importante lembrar que, Diana vive desde criança em Temiscira, junto com todas as Amazonas. É um ser puro (de maldade), mesmo sabendo quase tudo do “mundo” lá fora. E essa demostração de pureza, força, respeito e vontade de seguir seus preceitos é feito de forma tão real por Gadot que não há como não afirmar que ela realmente é Diana desde criança.

Aliás, a ambientação de Temiscira, local onde Diana cresceu, é simplesmente espetacular. Com cenários estonteantes e a exposição da cultura diferenciada das amazonas, a mitologia da Mulher-Maravilha começa a ser desenhada desde o início filme, onde as personagens constantemente trazem elementos mitológicos à trama, de modo a tornar tudo ainda mais incrível.

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Mas, sobre atuação, o mesmo pode ser dito de Chris Pine como Steve Trevor, que é tão protagonista quando a heroína que dá nome ao filme. Apesar de sua atuação não ser muito diferente dos outros papéis que costuma fazer, Pine funciona muito bem como o espião que quer colocar um fim a guerra.

Lucy Davis como a secretária Etta é excelente não só como alívio cômico mas também como contraponto entre a sociedade do início do século 20 com o pensamento libertário e sem barreiras de gênero das amazonas. Maquiada e mascarada, Elena Anaya consegue passar o terror da Dra. Veneno com o olhar. O resto do elenco, os homens, cumprem bem seus papeis e não comprometem. Mas o filme é mesmo das mulheres.

Patty Jenkins tem meu maior respeito como diretora. Não só por dar vida à essa obra de arte, mas por tratar com respeito a visão da mulher ali representada. Inclusive jogos de câmera que em momento algum sexualizaram Diana, nem mesmo com o uso de suas vestimentas de guerra. Ou, em falas que com sutileza ou franqueza calavam homens, HOMENS, no século 20. Imaginem. E isso sem esforço ou desvio de foco.

Sim, o filme tem TODA a pegada Girl Power que se pode imaginar. Mas não deveria ser menos que isso. Antes de serem amazonas e guerreiras, são mulheres. Sim, ponto.

GalleryComics_1920x1080_20150429_WonderWoman77_CMYK-new-neck-v2_552849f55810a9.84883346-1024x576 Mulher-Maravilha | Crítica 2

Voltando aos parágrafos iniciais, e complementando o que disse ontem, este é sem dúvidas o melhor filme da DC desde que Christopher Reeve voou pela primeira vez como SuperMan.

Mulher-Maravilha é um filme que entretêm, que entende seu personagem, sua origem e o trata com respeito. É o exemplo de filme que funciona em função do personagem e não um personagem funcionando em função do filme. Com poucos easter eggs do universo DC, o filme é inteiramente focado na personagem principal. Aqui não há deturpação da essência do personagem para funcionar em uma estética diferente, seja mais densa e sombria ou galhofa, o filme cria o ambiente perfeito para a Mulher-Maravilha ser quem ela é.