Desde pequeno sempre gostei bastante de circos… Não aqueles simples e chatos que vivem visitando minha cidade, mas aqueles mágicos, repletos de segredos e mistérios, ou aos de horror, com seu palhaço demoníaco e sua trupe assassina. E foi por este fato que de início O Circo da Noite me encantou, a sinopse e a capa logo me fizeram comprar a ideia de um excelente livro, mas que no fim, infelizmente não excedeu as expectativas.

Nas primeiras páginas do livro logo ficamos sabendo sobre um certo desafio que é jogado por duas pessoas, logo nossos dois personagens principais nos são apresentados e aos poucos eles vão aprendendo “magia” com seus devidos tutores – que também são responsáveis pelo desafio. O motivo de tudo é o grande mistério do livro e tudo se torna ainda mais curioso pois o livro é divido em capítulos que vão e voltam no tempo para explicar situações e personagens coadjuvantes que são vitais para o desfecho da trama (e que também são muito mais interessantes que os protagonistas).

A autora, Erin Morgenstern, para preencher páginas enquanto desenvolve seu romance acaba tentando a todo tempo nos vender um circo incrível, inimaginável e misterioso, mas falha à partir do momento em que tudo se torna tão maçante que já não mais há surpresas, no fim, você lê a descrição de mais uma nova tenda “incrível” e resmunga consigo mesmo “ah…Ok, que surpresa”. Levando-se em conta de que as tendas em sua maioria são criadas pelos dois protagonistas da trama, deve-se destacar que as “mágicas” criadas por ambos também se tornam chatas no fim. O livro peca também ao usar gírias e palavras menos apropriadas para sua época, mesmo se tratando de um romance histórico, afinal o livro se passa na virada do século 18 para o 19. É entendível até certo ponto por se tratar de um livro voltado para um público mais juvenil, mas que tira um pouco do charme da época.

A falta de um melhor desenvolvimento dos personagens é gritante. Um exemplo é a protagonista Celia Bowen, cujas nuances e dramas poderiam render momentos excepcionais, afinal ela era apenas uma garotinha quando foi forçada a participar de um desafio que é um mistério para todos (menos para ambos os tutores) e que envolve muitas pessoas. A falta de um melhor desenvolvimento também incomoda quando chega no romance que gira em torno dos protagonistas, que acontece do nada e não nos faz torcer por eles.

Por outro lado os coadjuvantes são carismáticos, um certo romance secundário funciona melhor do que o romance principal, a escrita da autora flui muito bem e o livro tem um final meio Shakespeariano interessante.