qua, 17 julho 2024

Crítica | 13 Sentimentos

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Escrito e dirigido por Daniel Ribeiro, que ganhou notoriedade depois de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, 13 Sentimentos é um filme que conta a história João em busca de um novo amor na cidade de São Paulo, após terminar um relacionamento de dez anos. O protagonista é o típico cinéfilo paulistano – até de forma clichê, em algumas vezes – que busca uma carreira no audiovisual, mas enfrenta as dificuldades de fazer cinema no Brasil e sofre para encontrar uma maneira de trabalhar com aquilo que gosta e conseguir pagar as contas que se acumulam por conta de um projeto atrasado, até que, as circunstâncias acabam levando-o para uma profissão “alternativa”.

É doce e divertido acompanhar a trajetória simples de um “adolescente de 30 e poucos anos” – um conceito facilmente identificável por uma parcela de pessoas nessa faixa etária – sofrendo para se colocar disponível no mercado de trabalho e no “mercado de relacionamentos” após ficar tantos anos em um relacionamento que terminou. O filme inicia dizendo que é baseado em sentimentos reais, e essa é sem dúvida sua maior força por gerar algumas das situações tragicômicas envolvendo eventos canônicos na vida de pessoas na faixa dos trintas, seja a frustração reiterada que surge com a instalação de diferentes aplicativos de relacionamentos, a empolgação que surge ao conhecer alguém legal e criar cenários fictícios envolvendo seu futuro com a pessoa que a qual acabou de ser apresentada ou a ansiedade em torno de uma oportunidade de trabalho que acaba não dando em nada.

Talvez o sentimento que o realizador capte melhor seja realmente a frustração, tão comum nessa idade em que já somos adultos, mas sem a estabilidade financeira ou emocional que fomos levados a crer que chegariam junto com a independência para tomarmos decisões – muitas vezes erradas. Nesse sentido, o filme se aproxima tematicamente de longas como Frances Ha ou Cha Cha Real Smooth. Sem, contudo, se traduzir tão bem para as imagens quanto esses outros dois longas. Isso porque em 13 Sentimentos, os cenários artificias e os planos pouco inspirados deixam o projeto com um ar de plasticidade que não vai de encontro com a proposta de explorar sentimentos. Se por um lado a fotografia sempre iluminada reflete o excesso de otimismo do protagonista que usa do bom humor como mecanismo de defesa para lidar com situações embaraçosas ou desconfortáveis, por outro, ela empobrece qualquer tentativa de explorar melhor visualmente os sentimentos negativos.

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O excesso de positividade pode enfraquecer os núcleos mais emocionais da narrativa, todavia trazem uma doçura e simpatia que tornam gostosa a experiência de assistir o longa. É o tipo de filme que dificilmente vai tirar seu chão ou te deixar maravilhado, mas funciona como conforto e provavelmente irá deixa-lo com uma boa sensação. 13 Sentimentos estreia hoje (13/06) nos cinemas, e vale a pena conferi-lo.

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Raíssa Sanches
Raíssa Sancheshttp://estacaonerd.com
Formada em direito e apaixonada por cinema
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