Desde o surpreendente sucesso mundial de Busca Implacável em 2008, Liam Neeson desenvolveu uma carreira paralela como um durão herói de ação, frequentemente interpretando variações de um personagem com um conjunto específico de habilidades, usadas contra qualquer bandido que cruze seu caminho, especialmente se ameaçarem sua família.
Agora, aos 72 anos, ele deu entrevistas sugerindo que seus dias como Charles Bronson desta geração estão chegando ao fim (embora a lista de seus próximos projetos no IMDb sugira o contrário).
Após assistir sua última incursão no gênero de ação, Último Alvo, é provável que muitas pessoas fiquem preocupadas com essa decisão. O filme não é necessariamente terrível, mas se mostra extremamente superficial ao oferecer aos espectadores pouco mais do que uma repetição de cenas já vistas antes, demorando uma quantidade inconcebível de tempo para fazê-lo.
Neeson interpreta um personagem identificado nos créditos apenas como Thug/Murtagh, um boxeador que agora passa seus dias trabalhando como executor para o gangster local Charlie Conner (Ron Perlman) e seu filho aspirante a durão, Kyle (Daniel Diemer). Ademais, ele passa suas noites vivendo sozinho em seu bairro operário de Boston. No entanto, isso parece mudar, quando ele conhece uma pessoa chamada apenas de Mulher (Yolanda Ross) após ela discutir com seu namorado abusivo em um bar.
Depois de sofrer vários lapsos mentais preocupantes, o personagem de Neeson vai ao médico e recebe o diagnóstico de que possui um caso avançado de Encefalopatia Traumática Crônica (CTE), com talvez dois anos, no máximo, antes de não conseguir mais cuidar de si mesmo.
Após uma tentativa sem entusiasmo de suicídio, ele decide usar seu tempo restante para corrigir os erros de sua vida. Vocês viram o título não? Primeiro, quer se reconectar com os dois filhos adultos que basicamente abandonou. No entanto, descobre que seu filho morreu de overdose e que, sua filha, Daisy (Frankie Shaw), está prestes a perder a casa em que vive, e que não tem nenhum interesse em se reaproximar do pai, incluindo apresentar a ele o neto.
Enquanto isso, ao fazer uma entrega para seu chefe, o personagem de Neeson descobre uma operação de tráfico de pessoas e tenta encontrar uma maneira de salvar uma das vítimas (Deanna Tarraza). Como se isso não bastasse, uma tentativa frustrada de matá-lo durante outro trabalho sugere que alguém está tentando eliminá-lo. Surpreendentemente, quase todos os pontos da trama mencionados são resolvidos ao longo da longa e cada vez mais violenta noite que compõe a parte final do filme.
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Se a maior parte do que foi dito até aqui parece familiar, é porque o roteiro de Tony Gatyon frequentemente soa como uma colagem de todos os filmes de ação de Neeson, parecendo um álbum cinematográfico de grandes sucessos.
Para ser justo, o filme desacelera na maior parte da primeira metade, focando nas cenas que envolvem seu relacionamento hesitante com a Mulher, sua filha e o neto (Terrence Pulliam) que ele nunca conheceu, assim como nas alucinações envolvendo seu pai falecido, cujo padrão de negligência foi claramente transmitido a ele.
Embora algumas das cenas entre o personagem de Neeson e seu neto sejam meio fofas, elas não trazem nada de novo à mesa, e aqueles atraídos pelo trailer cheio de ação provavelmente ficarão inquietos. Alguns outros aspectos, como a decisão de não dar nomes próprios a dois dos personagens principais ou as sequências de sonho envolvendo seu pai, não funcionam e acabam apenas destacando ambições artísticas elevadas que o filme nunca consegue realmente atingir.
O filme foi dirigido por Hans Petter Moland, que anteriormente colaborou com Neeson em um dos melhores filmes de ação deste, o inteligente e divertido Vingança a Sangue Frio (2019). Embora, Último Alvo não alcance o mesmo nível – pois o sentimentalismo presente aqui não se compara ao humor negro da parceria anterior – ele ainda é feito com um certo grau de habilidade.
Quanto a Neeson, ele ainda mostra ser perfeitamente capaz de impressionar e empresta uma seriedade inegável mesmo aos momentos mais banais. No entanto, vê-lo repetindo os mesmos passos aqui é como assistir a um grande pianista tocando a mesma música por 112 minutos — ele executa bem o que faz, mas todos os envolvidos (inclusive ele) sabem que é capaz de realizar um trabalho muito melhor e mais significativo.
Em resumo, Último Alvo apesar de parecer uma tentativa nobre, embora irregular, de fundir cenas de ação padrão com uma história humana mais profunda, é uma obra excessivamente longa e dramaticamente subnutrida, que tenta ser mais do que apenas uma ação típica de Neeson antes de eventualmente se tornar apenas isso.