Agentes Muito Especiais acompanha a história dos agentes Jeff (Marcus Majella) e Johnny (Pedroca Monteiro) que, para provarem ao chefe da polícia do Rio que são capazes de estar na corporação, se infiltram numa penitenciária para tentar desbancar a quadrilha perigosa “Bando da Onça”. Desde o treinamento para entrar na polícia, Jeff e Johnny sofreram com preconceito e chacotas por serem gays. Desejando conquistar o respeito dos colegas, Johnny e Jeff imaginam que apenas será possível solucionando um grande caso. Quando a oportunidade de se infiltrar no bando criminoso comandado pela líder “Onça” (Dira Paes), a dupla mantém o disfarce e se envolvem com o grupo criminoso. Não sem se meterem numa série de confusões, desde uma fuga atrapalhada que (quase) dá errado, até a construção atrapalhada de uma emboscada.
A direção de Pedro Antônio (Mallandro, O Errado Que Deu Certo) faz o seu melhor para tornar o roteiro de Fil Braz (Tô Ryca) em algo que não pareça ter sido a primeira ideia que se houve numa reunião. O diretor tem trabalho, mas consegue fazer isso dando espaço para que o elenco improvise e brinque em cena, o que funciona em alguns momentos. As situações que deveriam ser o guia da história não funcionam. A produção tenta ser uma sátira de filmes policiais, mas não brinca com nenhuma clichê do gênero. Pelo contrário e usa e abusa deles. O preconceito e chacotas que poderiam dar força motriz ao arco dos personagens centrais e do desenvolvimento deles na trama é inexistente, já que ambos (mesmo um deles sendo tímido) são ótimos em tudo que fazem e nenhum outro personagem presente no centro de operações interage, debocha ou ofende os mesmos. Por fim, o plano do assalto é confuso e só serve pra encher linguiça na história que em determinado momento fica sem ter para onde ir e o desenvolvimento dá dó de tão mal elaborado.

O que salva o filme é o seu elenco que quer se divertir e improvisa diversos trechos, conseguindo arrancar alguns risos do espectador pelo seu esforço. Pedroca Monteiro (Os Salafrários) começa tímido em cena e com o tempo vai se soltando. O seu personagem possui preconceitos com sua orientação sexual e acha que isso afetará sua carreira, ao se libertar dessas ideias o personagem evoluí. Marcus Majella (Um Tio Quase Perfeito) é debochado, ácido e sagaz em todas as suas cenas, sendo divertidíssimo. O restante do elenco, que é muito talentoso, atua de modo protocolar e alguns destoam da proposta do longa, mas nada que prejudique a produção.
Agentes Muito Especiais é um filme com uma proposta divertida, mas com uma execução fraca que só não fracassa pela entrega de corpo e alma da dupla de protagonistas. Assista sabendo que esse filme só tem algo de especial mesmo no título.


