
A Natureza das Coisas Invisíveis tem um progresso bem orgânico quanto à sua simplicidade, representação da infância e amadurecimento precoce. Ele se inicia de maneira bem fria e distante com toda a situação do hospital, mas conforme tudo é transferido para o campo, se inicia o processo de aceitação, o naturalismo da vida e morte, e uma baita pincelada sobre o retrato da ambientação mais brasileira possível.
Duas jovens se encontram em um hospital, formando uma amizade improvável. Suas experiências compartilhadas as levam a uma jornada emocional repleta de perdas, despedidas e realizações comoventes sobre a vida.
O mais interessante do filme fica por conta de uma simplicidade envolvendo as pequenas coisas que moldam o tratamento daquelas pessoas e uma naturalidade da morte. Não romantizando, mas passando por uma simples resposta de algo que irá acontecer inevitavelmente com todos e quanto mais cedo souber, melhor.

E o longa se utiliza de uma situação bastante comum ao longo do filme, especialmente com as crianças, envolvendo esse contato da morte. Desde o passado de Sofia e seu transplante de coração, as constantes visões e contatos da criança com pessoas já falecidas. Tudo isso culmina para uma existência natural e calma de maturidade emocional com aquelas crianças. Demonstrando em certos momentos mais calmas e pacientes com a situação do que suas próprias mães.
E na parte do sítio, fica reservado algo mais reflexivo e um alívio da parte anterior do hospital. Representando pela naturalidade daquelas pessoas e o tratamento dos mesmos quanto ao rito de passagem. A aceitação da bisa quanto sua passagem da vida para a morte rende bons momentos de humor e reflexão. Em contraste, temos as mães, pessoas adultas, beirando a preocupação e como demonstrarem essa passagem com suas próprias filhas. Trazendo reflexões sobre o luto e a dura aceitação da perda.
O convite de atores, especialmente crianças, amadores, integra muito bem com a naturalidade que o filme busca alcançar, apesar de alguns momentos soar artificial quanto algumas passagens do texto em si. Isso mais na forma de expor ao público mesmo, deixando um rosto precário de construção da narrativa.
É um filme extremamente sensível e sincero com sua proposta. Ele encanta e conquista seu público aos poucos, e conforme a narrativa vai ganhando uma personalidade rica e encantadora com nossa cultura, ele traz uma reflexão simples sobre o luto e aceitação, tanto da vida quanto da morte.


