
Hungria: A Escolha de um Sonho narra a trajetória de superação do rapper Gustavo da Hungria, criado na periferia de Brasília. O filme foca nos inícios difíceis, rejeição no cenário do rap, apoio da mãe e do amigo Gabiru, e sua aposta em um estilo único para conquistar o sucesso.
O filme dirigido pela dupla Izaque Cavalcante e Cristiano Vieira (Letícia) acerta em construir uma trama linear que aposta suas fichas nas atuações de seu talentoso elenco. Gabriel Santana encarna com bastante carisma o jovem sonhador, Ramon Brant (DNA do Crime) surge como a representação de diversos amigos do cantor, que apoiaram sua busca pela fama. André Ramiro (Tropa de Elite) engrandece todas as cenas em que participa. Em resumo, o elenco e a dinâmica entre eles é o ponto alto da produção.

A trama também foge de uma romantização excessiva do passado, algo que é muito comum em produções do gênero. Não vemos a direção transformar as dificuldades enfrentadas pelo protagonista em algo heróico. Pelo contrário, o roteiro apresenta os momentos controversos da vida do artista, sem julgamentos explícitos. Essa abordagem dá um certo realismo, ainda que por vezes pareça cautelosa demais.
Mesmo com boas atuações, a narrativa acaba sendo diluída por uma história que parece “pisar em ovos”, evitando aprofundar conflitos mais delicados relacionados a família e a outras decisões difíceis que marcaram a trajetória do cantor. Há um esforço visível em humanizar as situações mais controversas, o que é uma pena.

Hungria: A Escolha de um Sonho é uma obra bem intencionada, com boas interpretações e uma mensagem importante para os jovens, mas deixa a sensação de que poderia ter ido mais fundo em sua análise sobre quem foi o cantor antes da fama.


