A Revolução dos Bichos acompanha animais de fazenda que se rebelam contra seu dono negligente e tomam o controle da propriedade. Buscando igualdade, a luta é corrompida quando os porcos assumem o comando, transformando o sonho utópico em uma ditadura implacável.
A animação baseada na obra clássica de George Orwell e mesmo tendo uma boa qualidade técnica, a produção sofre com problemas narrativos, em especial, os relacionados ao material base. A direção de Andy Serkis (Planeta dos Macacos: A Origem) dedica sua atenção em criar ambientes coloridos e suavizar o tema da obra original, o que não é um erro, mas causa estranheza. O texto de Nicholas Stoller (Vizinhos) explora o tema da corrupção de modo muito suavizado. As mudanças feitas para tornar a produção mais descolada, e atual, não são orgânicas e surgem intercalando diversas situações forçadas. A produção apresenta os personagens centrais do filme no meio da ação, dando pouco tempo para que o espectador gere qualquer sentimento por algum deles. Da fazenda toda os personagens com mais destaque são os porcos, em especial o sortudo e o Napoleão.

O tom político acaba sendo diluído em meio a diálogos infantis e piadas (muitas bem bobinhas). Assim, a produção pode decepcionar aqueles que desejam ver algo fiel ao material de origem. O final do filme, por exemplo, é o extremo oposto do que vemos no livro, uma mensagem extremamente otimista. A dublagem (o filme foi visto, no idioma original) é muito boa. Os destaques são: Seth Rogen (O Estúdio) que constrói uma versão festeira e imprudente de Napoleão e Gaten Matarazzo (Stranger Things) que consegue transmitir uma certa inocência em seus diálogos.
Entre animais espirituosos e uma animação computadorizada bem feita, A Revolução dos Bichos decepciona por não conseguir adaptar o seu material de origem de modo fiel e entrega uma mensagem final que corrompe os ideias do livro e tudo que George Orwell construiu em sua extensa carreira literária.


