Não é de hoje que surjam curtas que posteriormente ganham adaptação em longa metragem para o cinema. Inúmeros casos, especialmente no terror, nascem de paixões iniciadas em curtas de baixo orçamento que ganham uma adaptação mais “robusta” para a telona. Agora, a vez é de “Backrooms”, inicialmente lançado como um Creepypasta, as famosas lendas urbanas, posteriormente ganhando mais relevância após o curta de 2022, de Kane Parsons. O diretor original retorna agora para uma adaptação em longa metragem e com muito mais orçamento para orquestrar o terror claustrofóbico.
A história acompanha Clark (Chiwetel Ejiofor), dono de uma loja de móveis à beira da falência, que vive um colapso em sua vida pessoal. Tudo muda quando ele descobre, no porão do estabelecimento, um portal para o chamado Backrooms: um labirinto infinito de salas vazias com paredes amarelas, luzes fluorescentes e proporções impossíveis, onde algo sinistro e invisível parece observá-los.

Dá pra dizer que Backrooms (2026) entra no grupo de filmes que seriam melhores se tivessem continuado sendo apenas curtas. Isso se dá pois o longa tem todo um cuidado em criar sua atmosfera e a descoberta do protagonista por todo o local e seus mistérios, mas conforme a história se desenvolve tudo vai ficando extremamente bobo e com explicações que tiram a imersão interessante, principalmente nas partes found footage, ligadas não só com esse subgênero tão querido do terror, mas uma preocupação em ambientar aquele local assustador.
O clima desconfortável e claustrofóbico é bem passado nos momentos que se utilizam da câmera analógica. E vira não só uma reverência ao material original, mas se liga com a ideia de solidão e medo do inexplicável que esse conceito do backrooms acaba combinando com o subgênero. Os corredores claustrofóbicos, o medo do que irá aparecer ou não na próxima virada de câmera é bem intuitivo com o telespectador e acaba se afastando do óbvio, ou pelo menos em seu início, de um terror mais direto ou de “shopping”, como dizem aos velhos clichês do gênero.
O problema fica conforme os dois protagonistas se encontram, o filme se complica ao começar a querer explicar o desenvolvimento daquele mundo, remetendo com um conceito de mundo invertido tão conhecido na cultura pop, e a revelação de seu monstro/stalker. É uma ideia que perde força, acaba ficando bobo, e o visual do monstro mais complica toda aquela atmosfera criada desde seu início do que agrega. Enquanto o curta apresentava um conceito muito mais introspectivo do terror, aqui quando escancara mais o terror ele fica descartável.

Até mesmo os problemas pessoais dos protagonistas, especialmente da personagem Mary, terapeuta de Clark, fica muito desproporcional as cenas mostradas para algo que não ganha uma relevância ou peso com o final do filme. Toda a ideia de passagem de Clark para uma insanidade que é demonstrada devido ao tempo que ele passa naquele ambiente não é bem desenvolvida em tela para ser crível com seu desfecho.
Backrooms é mais um exemplo de um longa metragem de terror não alcançando a simplicidade e imersão que um simples curta pode proporcionar para o gênero. Ele começa e desenvolve bem sua apresentação de ambiente, os momentos de found footage são a melhor parte do filme e remetem os clássicos do sub gênero, não só em tensão, mas na simplicidade. Porém acaba que caindo tudo em chão pois o longa acaba apelando mais para um terror que não combina com o restante da proposta e talvez explicando ou tentando explicar demais as coisas.


