O novo Todo Mundo em Pânico retorna para às graças do público após um longo período de hiato, não só da franquia, mas em paródias num geral. Agora, com o retorno dos irmãos Wayans, o novo filme tenta continuar as piadas e comentários sobre a indústria daquela maneira bem ácida que sempre trabalharam, mas também permitir um espaço maior para cutucadas com os inúmeros ocorridos globais e absurdos dos últimos anos.
Vinte e seis anos após escaparem de um assassino mascarado, o quarteto formado por Cindy (Anna Faris), Brenda (Regina Hall), Shorty (Marlon Wayans) e Ray (Shawn Wayans) volta à mira do criminoso. O longa satiriza os clichês atuais e tira sarro de remakes, prequels e spin-offs do terror moderno.

O filme parece um amontoado de erros e acertos por toda a franquia. Por um lado, temos os ótimos comentários sobre as situações políticas do mundo, racismo, a falta de criatividade da indústria, e as diversas cutucadas sobre o mundo dos influenciadores. E em especial neste filme, temos um extra dos próprios atores conseguirem comentar tudo que aconteceu com a franquia ao longo dos anos, permitindo ótimos momentos sobre brigas internas, dinheiro, e os diferentes controles criativos que a franquia Todo Mundo em Pânico teve com o passar dos anos.
Mas por outro lado, a sensação de serem esquetes separadas que muitas vezes tiram o próprio ritmo da história que o filme tenta criar acabam tirando o impacto. É uma metralhadora de piadas que vão inevitalmente variar em seu nível de qualidade, são muitas e muitas referências ao universo do cinema que podem acabar soando cansativas. E ainda, muitas piadas com um estilo bem anos 2000 para propositalmente apelar mais para a nostalgia dos fãs e assim ter um filme mais seguro de retorno da franquia, mas que o tempo acaba que tirando o impacto que tinha na época.

O retorno do elenco original é ótimo. Tanto no título quanto na história se ligam diretamente a esse retorno da franquia “Pânico” nos últimos anos e brinca com essa ideia de legado e passada de bastão para a nova geração. Tanto na referência do título quanto em seu desenvolvimento da história existem ótimos comentários sobre o tratamento (ou destratamento) da indústria sobre suas lendárias franquias do terror.
Outrora, o talento de todos ainda é perceptível, seja nos elementos visuais que rapidamente remetem o filme que está parodiando. O real talento é quando o humor não precisa ser apelativo, é um comentário rápido e acertivo, uma identidade visual que em poucos segundos já consegue parodiar algum filme icônico dos últimos anos. Ou até mesmo o melhor momento do filme que envolve uma sequência musical de um filme nem um pouco esperado naquele amontoado. Envolvendo muita criatividade e imprevisibilidade.
O novo Todo Mundo em Pânico é um bom retorno para a franquia. É um tipo de filme que faz falta nos dias de hoje e com um humor que não poupa ninguém. E impressiona mais ainda o timing de algumas piadas, totalmente recentes, incluindo gravações de dois ou três meses antes de seu lançamento mundial. A falta de uma coesão maior em sua história principal atrapalha o ritmo e talvez seja melhor um direcionamento para os dois filmes que fizeram melhor isso na franquia, o terceiro e o quarto, curiosamente os dois que tiveram o afastamento dos irmãos Wayans. Mas no geral, divertido e nostálgico.


