ter, 9 junho 2026

Crítica | Realm of Ink

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Realm of Ink é um game de ação roguelite desenvolvido pelo estúdio chinês Leap Studio e publicado pela 4Divinity. O título se destaca por sua estética única inspirada na pintura tradicional chinesa de tinta (ink-wash), com visuais artísticos que lembram um livro vivo pintado à mão. Não há um diretor único amplamente creditado publicamente, mas o CEO e lead da Leap Studio, Dai Ningkun, é a principal figura criativa por trás do projeto.

O game foi lançado oficialmente em 26 de maio de 2026, saindo do Early Access que havia começado em setembro de 2024. Ele está disponível para PC (Steam e Epic Games Store), PlayStation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch. O estilo de jogo é um action roguelite isometrico/top-down, fortemente inspirado em Hades, com combates rápidos, builds personalizáveis, dashes, ataques leves/pesados, poderes de tinta (ink powers) e um companheiro pet chamado Momo. 

HISTÓRIA

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O jogo segue Red, uma habilidosa espadachim que inicia sua jornada caçando um Demônio da Raposa (Fox Demon) que destruiu sua vila. Acompanhada por seu companheiro chamado Momo, Red atravessa paisagens inspiradas na arte chinesa de tinta, enfrentando criaturas mitológicas e ilusões. No entanto, logo após sua primeira derrota, ela descobre uma verdade devastadora: seu mundo inteiro é uma narrativa fictícia escrita dentro de um livro chamado Realm of Ink, controlado por uma entidade divina conhecida como Book Spirit (ou “It”), que dita o destino de todos os personagens.

Após morrer, Red é revivida pela misteriosa Miss Ching, uma espírito de raposa que administra o Spirit Fox Inn (ou Fox Inn), um hub seguro fora do controle direto do Book Spirit. Miss Ching injeta em Red o Fox Blood Ink, concedendo-lhe imortalidade cíclica: toda morte a retorna ao Inn, permitindo que ela acumule progressão permanente, desbloqueie novas formas de combate (combat forms), talentos, relíquias de história e habilidades de tinta. O objetivo passa de mera vingança para uma rebelião existencial: quebrar as páginas do livro, desafiar o destino predeterminado e escapar do manuscrito vivo.

A campanha é estruturada em múltiplas runs através de capítulos/reinos inspirados no folclore chinês. Red enfrenta bosses épicos que representam forças do Book Spirit, como entidades guardiãs de diferentes “páginas” ou histórias. Ao longo das runs, ela interage com NPCs no Inn (aliados e outros “despertos”), descobre fragmentos de memória e revela camadas sobre sua própria existência como personagem fictícia. Temas de livre-arbítrio, identidade, ciclos de renascimento e rebelião contra um autor onipotente são explorados através de diálogos, visuais simbólicos e escolhas de progressão.

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GAMEPLAY 

Há uma questão muito interessante para se avaliar em Realm of Ink, ele bebe demasiadamente da mesma fonte de Hades I e II, e devido a isso, não tem como não ficar realizando comparações o tempo todo. O game em pauta tem uma jogabilidade dinâmica e desafiadora, mas ao mesmo tempo é repetida e confusa. Apesar de ter várias habilidades e armas disponiveis, diponibilizando muitas combinações diferentes ao mesmo tempo, tudo tem o mesmo visual.

A busca implacavel por ser um Hades chinês em sua jogabilidade, faz com que o jogo falhe em buscar originalidade e seguir seus proprios caminhos, tudo e feito e “copiado” de seu jogo base, sem arriscar e sem criar apenas visando em seguir o lider de mercado.

Nesta obra, é posivel desferir golpes rapidos e pesados, bem como o uso de habilidades adquiridas da run e esquivar-se. Para uma gameplay satisfatória, cada player necessita fazer sua própria combinação e vencer os mais diversos inimigos, e a cada derrota voltamos para o Fox Inn e reiniciamos a run, podendo fazer algumas escolhas diferentes.

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Existem múltiplos finais (cerca de 6-7, incluindo o True Ending). Os finais baseados em runs iniciais mostram Red falhando de diferentes formas: aceitando o destino, sendo reescrita pelo Book Spirit ou morrendo permanentemente. O True Ending exige progressão profunda (desbloqueando formas específicas, relíquias de história e confrontos adicionais), onde Red reúne aliados, confronta diretamente o Book Spirit e consegue reescrever ou escapar do livro, alcançando verdadeira liberdade. O tom mistura ação intensa com momentos filosóficos e melancólicos, sempre com a beleza artística da tinta chinesa como pano de fundo.

GRAFICOS

Os graficos são belos, como se fossem pintados a mão em aquarela. Cores vivas e chamativas se unem as belas artes dos personagens, inimigos e chefes. Tudo é imersivo e chamativos, mas ao mesmo tempo, na questão dos inimigos, é repetitivo.

Ao invés de cenários que remetem a ideias vinculadas a deuses gregos, como em Hades, em Realm of Ink, o foco esta em ambientes inspirados na mitologia chinesa, algo que poderia ser unico se fosse explorado melhor e não visando ter tanta similaridade com Hades.

CONCLUSÃO

Apesar da boa proposta e de ser desafiador e divertido, Realm of Ink não busca seu lugar ao sol, mas sim, visa seguir o lider sem sair e explorar as linhas da inovação. A obra é promissora mas é acorrentada ao medo de errar e isso faz com que seja apenas um game indie que tenta surfar a onda de um AAA.

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Marcel Botelho
Marcel Botelhohttp://estacaonerd.com
Sou radialista, apresentador de televisão, colunista, redator e escritor, sou apaixonado pela área de comunicação e principalmente por games, desde a minha infância. Como editor e redator da área de games do Estação Nerd, espero levar até vocês muita informação e entretenimento com muita qualidade e alegria.
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