No dia 21 de junho (domingo), o documentário CHEIRO DE DIESEL, dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, ganha uma sessão especial seguida de debate no Recife. O evento acontece às 14h, no Cinema São Luiz, e contará com a presença da diretora Natasha Neri e de convidadas que atuam na defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e da comunicação.
Após a exibição, o público poderá acompanhar uma conversa com a diretora, ao lado da cineasta, educadora popular e articuladora de favelas Yane Mendes (nascida e criada no Totó, periferia do Recife) e da ativista Joelma Andrade, coordenadora do centro comunitário Mário Andrade e da Rede de mães e familiares vítimas da violência do Estado. O debate será mediado por Carol Almeida, pesquisadora, professora e curadora de cinema.
Distribuído pela Descoloniza Filmes, CHEIRO DE DIESEL investiga os impactos das operações militares nas favelas do Rio de Janeiro, especialmente durante o período dos grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, quando diferentes territórios foram ocupados sob operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
O filme se constrói a partir de relatos de moradores de regiões como Maré, Penha e Morro do Salgueiro, que trazem em suas histórias as consequências diretas da presença militar no cotidiano dessas populações. A narrativa reúne denúncias de violações de direitos, incluindo invasões a casas, escolas e unidades de saúde, além de episódios de revistas constantes e assassinatos.
Esses relatos também revelam como os efeitos dessas operações permanecem no tempo. “Os traumas são permanentes. Todas as pessoas têm muito viva a memória do tanque na sua porta, do cheiro do diesel, da tortura e da falta de informação”, afirma Natasha Neri.
A diretora Gizele Martins, jornalista e comunicadora da Favela da Maré, premiada com o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, aponta que a ocupação militar da Maré serviu como base para ações semelhantes em outras favelas do Rio. “Este é um filme que retrata a minha própria realidade”, afirma. “A democracia ainda é um sonho pra gente que vive nesses territórios”.
Ao lado dela, Natasha Neri contribui com sua experiência na direção de documentários e pesquisas sobre justiça criminal. Diretora de AUTO DE RESISTÊNCIA, premiado no festival É Tudo Verdade, Neri desenvolve CHEIRO DE DIESEL a partir do acompanhamento direto de casos de violência de Estado e da relação com familiares de vítimas ao longo dos últimos anos. “O filme nasce dessa luta para dar visibilidade às famílias, vítimas de violações praticadas pelas forças armadas”, explica.
A partir dessas histórias, o documentário também mostra quais são os obstáculos enfrentados na busca por justiça. Muitos dos casos retratados são conduzidos pela justiça militar, o que limita o acesso à informação e à responsabilização. “Nenhuma das famílias teve reparação. Nenhuma teve o mínimo de acesso à informação”, afirma Neri.
A partir de tudo isso, CHEIRO DE DIESEL se constrói como um filme de denúncia e memória. “A ideia é registrar esse período e convidar o espectador a refletir sobre essa cidade dividida”, afirma Gizele e Natasha completa: “As forças armadas não são solução para a segurança pública”.
CHEIRO DE DIESEL é uma produção da Amana Cine e Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil, apoio da RioFilme, distribuição da Descoloniza Filmes com a parceria da RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. O longa passou por alguns festivais, incluindo o Festival do Rio, onde recebeu o Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Documentário pelo voto popular.


