Segredo Obscuro (Shell) acompanha Samantha Lake (Elisabeth Moss), uma atriz em declínio que busca recuperar a fama através de um glamouroso tratamento antienvelhecimento da empresa Shell, liderada pela CEO Zoe Shannon (Kate Hudson). Porém, quando pacientes começam a desaparecer e tratamento passa a apresentar efeitos colaterais estranhos, Samantha descobre uma conspiração assustadora sobre o império da beleza.
É compreensível que, nos últimos anos, o gênero terror tenha apostado cada vez mais em tramas dentro de temáticas que obtiveram êxito na linguagem cinematográfica voltada para o medo e a repulsa. Resumindo de maneira prática, podemos citar como grandes exemplos desse vindouro aproveitamento temático para a criação de narrativas distintas os premiados Titane (2021) e A Substância (2024), que trouxeram novos ares para o body horror. Segredo Obscuro (Shell) parte dessa situação sintomática, mas deixa de escanteio qualquer autenticidade imagética, assim como também ignora o potencial do seu argumento, entregando uma narrativa paupérrima.
No filme de Max Minghella, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (18 de junho), é inevitável a comparação com o já clássico contemporâneo A Substância, já que o enfretamento ao idadismo e as críticas contra a indústria da beleza tentam surfar na mesma onda. Em Segredo Obscuro, uma atriz que enfrenta o ostracismo devido a sua idade conhece um tratamento inovador que irá lhe permitir ser jovem para sempre. A trama soa bem familiar, certo? Não seria esse um problema se o novo longa-metragem escrito por Jack Stanley contasse com um roteiro que, de fato, reconhecesse o fator perigo enfrentado pela personagem. Todo o conflito parece ser tratado de maneira totalmente superficial e repleta de conveniências capazes de tornar a história um absoluto nada, sofrendo com a carência de complementos de texto e imagem que pudessem, ao menos, construir uma identidade propícia para o filme. É sentida como as temáticas importantes do etarismo e a toxicidade da indústria da beleza são inicialmente levados a tona, mas se perdem na clássica equação de causa e efeito e em diálogos sofríveis.
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Mais aderido ao simplório roteiro do que livre para expor as ideias delirantes que a todo instante são exigidas pela trama, Max Minghella assume uma direção tão insossa, artificial e involuntariamente cômica que, em dado momento, Segredo Obscuro parece realmente se obscurecer pelo pastiche. Nem quando a história decide apresentar ecos de terror cósmico (chega a ser estranho citar Lovecraft como referência para uma obra que sequer deve reconhecer a importância do escritor para o gênero) e narrativas Kafkanianas é sentida uma verdade em seu argumento, já que esses elementos são verdadeiramente jogados à trama a fim de convencer os fãs do horror que o filme possui um conteúdo que vai mais além.
Imagem: Black Bear Pictures/Reprodução
Era de esperar que Elizabeth Moss e Kate Hudson sustentasse o filme com seus respectivos talentos, ainda mais Moss que já possui no currículo produções de horror como O Homem Invisível e Nós. Infelizmente, as renomadas atrizes mergulham na escrita piegas para suas personagens e entregam, sem grande esforço nem condução por parte de uma direção de elenco certeira, um trabalho que vai do razoável para o forçado. Enquanto Hudson não economiza as frases de efeitos e caras e bocas de vilã sarcástica, Moss evita poupar a incredulidade de sua personagem diante de todos os conflitos, parecendo sempre confusa e desconfortável.
Acreditando ser um título de honra pertencente ao atual cenário de grandes produções do gênero terror, Segredo Obscuro tem boas intenções, mas, infelizmente, parece crer demasiadamente no seu potencial sem enxergar a artificialidade com altas doses de vergonha alheia que acaba se tornando.
Segredo Obscuro (Shell) acompanha Samantha Lake (Elisabeth Moss), uma atriz em declínio que busca recuperar a fama através de um glamouroso tratamento antienvelhecimento da empresa Shell, liderada pela CEO Zoe Shannon (Kate Hudson). Porém, quando pacientes começam a desaparecer e tratamento passa a apresentar...Crítica | Segredo Obscuro