Uma mãe lutando pela guarda dos filhos não é um tema propriamente novo no cinema, porém Nós Acreditamos em Você está pouco preocupado com as dramatizações tradicionais dos filmes de corte, que costumeiramente giram em torno de grandes reviravoltas, em busca do choque do público. Aqui o foco principal recai muito mais na exploração da violência institucional da burocracia judiciária, evidenciado tanto textualmente, quanto por escolhas estéticas.
As cores gélidas das paredes, por exemplos, não são um sintoma da pausteurização que assola a fotografia de parte das grandes produções hollywoodianas atuais, pelo contrário, cumprem um papel narrativo de enfatizar a frieza dos ambientes no qual burocratas e jurisdicionados estão circunscritos. A falta de elementos chamativos nos cenários, por sua vez, não revela uma falta de zelo da direção de arte, e sim uma escolha consciente desta para ilustrar o vazio.

Os planos fechados confinam o espectador junto dos personagens, tanto nós, quanto eles, sufocados por uma câmera aprisionadora. A mensagem transmitida ao inconsciente é clara, daquele sistema não há escapatória, ele não foi desenhado para acolher, mas para oprimir e re-vitimizar os já vulneráveis. A reputação de quem denuncia um abuso é colocada em cheque, sua palavra é questionada, junto com sua “moralidade”, justamente por aqueles supostamente encarregados de protege-los.
O longa aborda a violência física-sexual, todavia é a brutalidade da (falta de) justiça que assombra a trama. Nas lágrimas desesperadas da mãe também estão contidas as lágrimas invisíveis e silenciosas de seus filhos, enquanto o ciclo de maus-tratos é perpetuado não mais pelas mãos do algoz, agora pelas palavras eloquentes dos operadores do direito.


