
Algo digno de louvor durante toda a jornada de The Bear é a coragem de seus realizadores de driblarem certos clichês, por mais que a definição da série seja até que bem clara pelos obstáculos. Enquanto a primeira e segunda temporada possuem um tom mais caótico e certamente uma tradução perfeita do que se passa nos bastidores de uma cozinha. A terceira temporada ganha tons mais contemplativos com seus protagonistas para refletirem sobre tudo o que já passaram. Já a quarta temporada ganha um tom dramático altíssimo devido a proporção de certos assuntos e tramas que já se fechariam na penúltima temporada. Agora, em sua quinta e última temporada, o tom de despedida é bem acertado e ganha por inserir sua temporada de oito episódios se passando em um único dia de serviço.
Na quinta e última temporada de The Bear, Carmy decide abandonar a cozinha . O trio Sydney, Richie e Sugar (Natalie) assume a liderança do restaurante , enfrentando a pior crise financeira do negócio e uma forte tempestade que atinge Chicago . Eles precisam lutar para realizar um serviço perfeito e conquistar a Estrela Michelin antes que o local feche as portas.
Com uma das decisões mais corajosos de toda a série: Carmy abandonando a cozinha. Foi algo que mudou o encaminhar da última temporada, não só pela questão do restaurante estar falindo e literalmente no início da temporada estar caindo aos pedaços. Mas uma decisão que reflete a jornada do personagem, alguém que teve muitos problemas familiares que acabaram refletindo suas atitudes e mentalidades no trabalho, e não só isso, uma doutrinação na cozinha que acabou com sua saúde mental, seu antigo mentor, que já foi confrontado na terceira temporada e pareceu um balde de água fria no protagonista. É algo corajoso pois uma pessoa tão talentosa e genial no que faz, mas não consegue ser realmente feliz com aquilo, como já visto nas temporadas anteriores, acabou com relacionamentos, inúmeras crises e problemas que o personagem já buscou ajuda na quarta temporada.

E a jornada de Carmy é um grande acerto na série pois reflete diretamente com inúmeros casos na vida real de pessoas que são muito boas no que fazem, mas não consegue tirar uma alegria e propósito naquilo. Como dito pelo personagem, para ele era questão de sobrevivência, não um prazer que sua parceira Sidney tem ao longo da série, apesar dos caos instaurado. E é um prazer que Carmy já teve, porém já foi sugado por todo o estresse e má influência do ambiente culinário.
O grande debate da série é justamente esse propósito, essa busca incessante por fazer o que ama, o que te faz levantar dia após dia. São camadas que foram muito bem trabalhadas de diversas formas por todos os personagens, sejam os principais ou secundários. Seja pelo amadurecendo de Richie e ele enfim encontrando um propósito, um motivo de ser quem ele é e ainda sim dar alegria para as pessoas, pois ele é muito bom nisso. Seja pela Sid, que é muito talentosa na cozinha e tem um potencial gigantesco, se estabelecer naquele local e conseguir a passada de bastão de se amigo Carmy para alguém com muito futuro. Até os secundários, Tina amadurecendo na série e se tornando uma das melhores cozinheiras daquele local, é algo mágico na série, alguém que você não imaginava gostar tanto chegando na reta final, muito por conta de suas atitudes egoístas no início de tudo. Então por tudo que é feito, a jornada do Carmy é perfeita, entre o céu e inferno e por mais que seja muito difícil, ele entendeu o que precisava ser feito para o restaurante, para as pessoas que ama e principalmente para ele mesmo.

E o caminho desta temporada se leva por oitos episódios e tudo praticamente se passando em uma jornada de trabalho. O tom da séries é basicamente “Uma Última Dança”. Acontece todo aquele estresse e rotina maluca que já foi visto anteriormente na série mas tudo parece dobrado desta vez. Temos problemas físicos no restaurante, problemas de cano, chuva, os problemas emocionais, as reações com a saída de Carmy. Tudo para culminar no sétimo e penúltimo episódio da série onde toda a dança acontece. Todos os personagem em seu auge e praticando seu trabalho com todos os obstáculos possíveis. É um ballet maravilhoso de se acompanhar.
Enquanto o crescimento da série foi esse drama familiar com um restaurante/cozinha de pano de fundo, tudo é alcançado! Os personagens são tão íntimos do público que sabemos até o seu final cada problema interno de cada um, cada vontade e cobiça. O acerto da temporada em condensar tudo isso em poucas horas, mas extremamente e talvez as mais importantes da história daquele restaurante. Existe o escopo de grandiosidade justamente pelos inúmeros obstáculos ao longo daquele dia maluco. E The Bear encerra de forma ótima e satisfatória toda essa história, com personagens tão riquíssimos e humanos que ainda sim existe muito pano ali para novas histórias ou complementos.


