
Quando se fala de filmes com dinossauros e de ficção cientifica é difícil não pensar em Steve Spielberg (Dia D). O diretor redefiniu o cinema ao misturar ficção científica e aventura em Jurassic Park e criou um marco na história do cinema. Bebendo dessa fonte e de outras produções como The Twilight Zone, chega aos cinemas O Fim da Rua. O longa escrito e dirigido por David Robert Mitchell (Corrente do Mal) é uma grata surpresa e chega entregando exatamente aquilo que os fãs de boas aventuras de ficção científica procuram: criaturas impressionantes, tensão e uma boa dose de emoção.
Em O Fim da Rua um misterioso evento cósmico transporta o bairro subúrbio e a família Platt, formada pelo casal Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor) em crise nos anos 1980, para um ambiente irreconhecível e isolado na era dos dinossauros. Mitchell constrói um bairro oitentista, cenários e figurinos perfeitos! A direção consegue transportar o espectador para aquele universo, com um design de produção que deve (e merece) ganhar uma indicação no Oscar 2027. Tudo relacionado a década de 80 é reproduzido com perfeição! A fotografia é outro destaque, a filmagem ainda recria alguns planos típicos da época e exagera no uso de planos médios e nos closes nas expressões dos atores.

Após um primeiro ato focado em apresentar a família protagonista e os seus segredos, vemos alguns eventos misteriosos acontecendo na região e logo em seguida, sem muita cerimônia, o filme nos transporta para o período Cretáceo (isso é perceptível pelas plumagens nos dinossauros vistos em tela) e somos inseridos em um cenário repleto de suspense e ação. Quando as criaturas (dinossauros) surgem em tela é impossível não ficar na ponta da cadeira. O CGI usado para a construção deles é excepcional e a tensão com a presença deles só cresce com o tempo.
As situações onde a família está inserida é repleta de tensão, em toda cena os dinossauros estão à espreita, só esperando para atacar. O modo como esses ataques ocorrem são brutais, vemos diversos deles acontecendo em segundo plano, enquanto a família que acompanhamos na narrativa nesta aventura foge. Os embates quando acontecem são criativos e muito bem coreografados, tendo um grau de realismo que assusta, o que é maravilhoso de se ver.

Infelizmente o filme não está interessado em explicar como essa situação aconteceu e isso nem importa na verdade, mas é inegável que algumas falhas pontuais surgem aqui e ali pela falta de explicações. São conveniências forçadas e situações sem lógica, em especial, no último ato que deixa muitas perguntas em aberto. O final ocorre de modo acelerado e não dá explicações críveis ao encerramento. Mas nada disso é suficiente para apagar os méritos que a produção alcança.
O Fim da Rua é uma aventura extremamente original e um verdadeiro espetáculo visual! A produção é uma grande surpresa neste segundo semestre e merece ser vista na maior tela possível. Assista e se prepare para viver o inacreditável. Os fãs de Spilberg vão amar esse lançamento.


