ter, 18 agosto 2026

Crítica | Akira (Versão remasterizada em 4K)

Publicidade

Um dos fatos mais interessantes de Akira(1988) é condensar uma obra de seis volumes gigantes em um filme de duas horas de duração. Claro, muita coisa vai ser resumida ou simplesmente alguns eventos da história serão apagados, desde personagens ou situações que não couberam no filme. Mas algo para se impressionar é os diversos sentimentos que a obra consegue causar até os dias de hoje, seja por uma Neo-Tokyo que impressiona e também assusta tamanho caos e desordem no decorrer do longa, seja pela alta e cru violência que a obra deposita em diversas situações envolvendo seus personagens ou até mesmo a aposta de seu criador e diretor, Katsuhiro Otomo, em buscar na adaptação que sua obra para os cinemas algo mais voltado para uma sucessão de eventos impactantes do que puramente uma explicação, tal como o manga constrói.

Em uma NeoTóquio futurista, reconstruída após a destruição de Tóquio em 1988, Tetsuo se envolve com experimentos do governo que despertam poderes psíquicos imensos, algo que o torna perigoso. Seu amigo, Kaneda, líder de uma gangue de motoqueiros, tenta conter a ameaça enquanto se envolve com Kei, uma ativista do grupo de resistência. O filme acompanha a ascensão do poder de Tetsuo, confrontos violentos e um clímax em que a cidade é novamente ameaçada por destruição catastrófica, culminando em eventos que transcendem a realidade conhecida.

E a animação de Akira envelheceu de forma espetacular justamente por um trabalho cuidadoso desde o primeiro papel na criação. Enquanto 24 fps é o padrão, Akira se destacou porque utilizou um número muito maior de desenhos por cena crítica, chegando a renderizar 12 a 24 desenhos por segundo em algumas sequências, garantindo movimentos suaves, detalhes faciais precisos e ação cinematográfica dinâmica. Isso contrastava com o anime tradicional, que frequentemente repetia frames ou utilizava menos desenhos por segundo para economizar recursos, resultando em movimentos mais rígidos. Akira também combinou backgrounds extremamente detalhados com animação de personagens fluida, criando um efeito de profundidade e realismo raramente visto no cinema de animação da época.

Publicidade
Akira - anime

O clima passado ao longo da obra é justamente essa cruzada maluca da nova geração de Tokyo. Isso demonstrado por conta das inúmeras situações envolvendo os impactos deixados pela guerra com aquela sociedade. Os jovens são constantemente oprimidos ao longo da história, desde os experimentos do governo com as crianças até chegar no Tetsuo. Ainda temos os diversos conflitos de gangues, majoritariamente compostos por jovens e menores de idade, tal qual o simpático Kaneda. É uma sociedade que constantemente os oprime e passa uma sensação de fim do mundo e falta de um futuro sólido com tudo aquilo, deixando o sentimento de esperança de muitos serem passados para a religião, as brigas e sensação de pertencimento ou até mesmo uma luta impossível contra o governo.

A violência passada durante a jornada não soa apelativa ou exagerada, mas justamente o contrário, é uma obra que consegue entender o mundo em que vive e o grau de sadismo com que todo aquele absurdo poder telecinético pode alcançar nas mão de alguém desamparado e incontrolado, no caso Tetsuo. A violência das gangues é tão natural que afasta o fato deles serem tão jovens, tal qual em “O Senhor das Moscas”, onde aquelas crianças estão submetidas a um mundo nefasto e impiedoso. Temos diversos graus de sentimentos com aqueles personagens, a inveja de Tetsuo pela moto de Kaneda manifestada desde antes de ganhar seus poderes até ser culminada por seu roubo. O protagonismo de Kaneda, diferente do manga aonde é uma divisão muito maior de protagonistas, aqui, é ele quem ganha o destaque e encara o grande vilão do filme, seu amigo Tetsuo, assim sua grande amizade é posta em batalha, sendo uma esperança em superar toda a inveja e descontrole sobre os poderes.

O anime Akira é extremamente relevante até os dias de hoje, não só por ser um dos grandes responsáveis em levar essa cultura para o ocidente, mas também inspirar inúmeras obras posteriores para o cinema e que vemos em constantes homenagens em inúmeros veículos da cultura. Desde a jaqueta icônica até a inesquecível moto de Kaneda, é estranho pensar que já passamos do ano em que o filme aborda tudo aquilo, 2019, e infelizmente acertou em alguns pontos de nossa sociedade, tal qual uma sociedade desprovida de capacidade com tanta tecnologia ou até mesmo uma juventude que não sabemos ao certo se terá uma capacidade mental de lidar com um futuro incerto ou imprevisível.

Publicidade

Publicidade

Destaque

Harry Potter | HBO anuncia Nicholas Hoult no elenco da segunda temporada da série; Confira!

A HBO anunciou a escalação de Nicholas Hoult (Superman e Nosferatu) no elenco da segunda temporada da série...

A Odisseia | Filme supera a marca de US$ 1,2 bilhão nas bilheterias mundiais; Confira!

Segundo dados da Variety, A Odisseia alcançou a marca de US$ 1,29...

Morre, aos 36 anos, a atriz Hayden Panettiere

A atriz Hayden Panettiere, conhecida por interpretar Claire Bennet...
Um dos fatos mais interessantes de Akira(1988) é condensar uma obra de seis volumes gigantes em um filme de duas horas de duração. Claro, muita coisa vai ser resumida ou simplesmente alguns eventos da história serão apagados, desde personagens ou situações que não couberam...Crítica | Akira (Versão remasterizada em 4K)