qui, 1 outubro 2026

Crítica | A Queda 2: No Limite

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A Queda 2: No Limite (Fall 2: Deadpoint) dá continuidade aos eventos ocorridos no primeiro filme. De luto pela morte de sua irmã Shiloh (que perdeu a vida após subir em uma torre de transmissão), Jax (Harriet Slater) cria um laço com Luce (Arsema Thomas), a amiga corajosa da falecida e juntas elas enfrentam a perigosa passarela suspensa do Monte Kwan, na Tailândia. Quando um deslizamento de rochas as deixa presas em uma estreita prancha a mais de 3.000 metros de altitude, Jax precisa enfrentar seus medos para sobreviver.

A tentativa frustrada de emular qualquer façanha conquistada pelo filme anterior transforma uma sequência, notavelmente ambiciosa, em um verdadeiro compacto de mediocridades. A Queda 2: No Limite (Fall 2: Deadpoint) parte desse princípio, mas com o perigoso objetivo de querer ser maior e melhor que seu antecessor em todos os aspectos formais e conteudistas. Há, de fato, possibilidades interessantes a se explorar levando a história para montanhas seculares da Tailândia, fantasiando trilhas perigosas criadas por Monges. No entanto, além da nova localização, pouco (ou, absolutamente nada) se salva em A Queda 2: No Limite, que vai de encontro com chão logo na apresentação das novas personagens.

A protagonista, Jax, é irmã caçula da personagem Shiloh (Virginia Gardner), que, para superar o luto pela perda, decide se aventurar realizando uma trilha nunca antes feita pela irmã mais velha, ao lado de uma das amigas dela que, simplesmente, surge de repente e a convence para ter a coragem de enfrentar tal desafio. Desde esse ponto, o roteiro de Jonathan Frank e Scott Mann estava trilhando um caminho sem grandes rodeios e repleto de conveniências questionáveis que são expostas em tela por meio de uma direção que escolhe não questionar ou se envolver muito com o texto até então altamente simplório.

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Imagem: Tea Shop Productions/Divulgação

Conduzido dessa vez pela dupla Peter e Michael Spierig (Predestinado, A Maldição da Casa Winchester), A Queda 2 não aproveita a dimensão do perigo proposto pela narrativa, transformando seus cenários, até então apresentados com uma modesta magnificência, em figuras geradas por computação gráfica carentes de profundidade de campo. O filme também parece necessitar de enquadramentos que pudessem valorizar a tensão passada em cena, que, na maioria das vezes é disfarçada pela edição estilo “cortes rápidos” e efeitos visuais que necessitavam de mais acabamento nas texturas, que resultam em imagens embaçadas e com constrangedores contornos em volta. Não há qualquer momento imersivo, nem mesmo nos momentos mais teoricamente angustiantes.

Antes que a falta de manejo diante de uma tela verde fosse o único problema formal de A Queda 2. Os irmãos Spierig economizam na construção e desenvolvimento de personagens e na tomada de soluções inteligentes para repetir processos a ponto de estagnar as ideias. E, nessa narrativa, quando se há uma ausência de novos caminhos a serem tomadas, é enfiado goela abaixo do público umas 3 reviravoltas, sendo uma mais desprovida de sentido que a outra. Chega a ser redundante afirmar que a fatídica inserção de quebras narrativas mascaram argumento e roteiro paupérrimos, gerando, além da constrangedora artificialidade, diversos outros fatores que mais atrapalham do que ajudam o suspense a caminhar na ponte de corda bamba que se meteu, ou melhor, que fora forçado a se meter (tal como a personagem principal, que é simplesmente coagiada a participar da aventura com altas tendênciass de estupidez, por uma pessoa que ela sequer conhece).  

Imagem: Tea Shop Productions

O que implica no não desabamento total dessa ponte e ainda mais deslizamento de pedras em cima dessa história já cheia de danos é o notável esforço das atrizes Harriet Slater (Jax) e Arsema Thomas (Luce) que, apesar de darem vida a personagens que exalam os piores clichês de filmes de sobrevivência, conseguem encarar os dramas e desafios dessas da melhor maneira artística, mesmo com a escassez de recursos que dariam mais veracidade à situação de duas turistas penduradas em um dos pontos mais altos de todo o mundo por 3 dias, sem água, comida ou oxigênio. De fato, a produção parece esquecer de atribuir caracteristicas visuais às personagens para frisar que elas estavam passando por situações de desvastação e quase morte, o que contribui para a precária qualidade técnica do filme. Completam o elenco Tom Brittney, que vive o guia turístico Jon (que também protagoniza outra reviravolta vergonhosa do filme), Sahajak Boonthanakit, que interpreta um barman tailandês que sequer ganha um nome, e retornam ao elenco em papéis minúsculos e pouco aproveitáveis as protagonistas do longa antecessor, Virginia Gardner e Grace Caroline Currey.

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Diferente de um pesadelo nas alturas tal como o primeiro filme, A Queda 2: No Final é, na verdade, um pesadelo para quem esperava algo à altura de seu antecessor. Fraco nas ideias, desesperado em tentar ser algo realmente grande e risível em matéria de efeitos visuais, o longa é mais uma sequência que cairá no esquecimento.

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