
A partir de uma eloquente fotografia em preto e branco em película de 35 milímetros, Pawlikowski cria enquadramentos tão gélidos quanto belos, capazes de atravessar a tela e transmitir, quase sensorialmente, a sensação de estar na Alemanha do final da década de 40. Em várias das cenas, os protagonistas são filmados de longe, de costas para a câmera ou através de janelas, comunicando um certo distanciamento emocional. Durante alguns diálogos, a câmera passa a se aproximar um pouco mais, como se a palavra dita nos avizinhasse daquelas pessoas.

Assim, a pompa nunca parece deslocada ou vazia, porém ao comunicar essa frieza, o filme acaba despindo-se muito de suas emoções e, ainda que propositalmente, se torna difícil criar uma conexão com a história. Mesmo diante de uma tragédia familiar, o vínculo estabelecido é tão baixo que acaba sendo difícil sentir qualquer impacto, deixando a experiência de 1 hora e 20 bastante cansativa. É Sandra Huller quem, por meio de sua raiva controlada, fica responsável por ser o fio condutor emocional da obra.
Na tocante cena final, ao som de Bach, é quando finalmente os sentimentos se permitem fluir mais naturalmente, com uma intensidade que golpeia o espectador. O longa acaba justamente quando começaria a ficar interessante, deixando a impressão de algo que demorou demais a passar e, ao mesmo tempo, terminou precipitadamente. O gostinho de quero mais deixado não chega a ser bom, pelo contrário, parece que a melhor parte ainda estaria por vir e nos foi negada.


