qua, 15 julho 2026

Crítica | Duas Rainhas

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Escrito por Beau Willimon e dirigido por Josie Rourke, Duas Rainhas nos apresenta drama e grandiosidade reais típicos do século XVI para retratar a conturbada (e conhecida) relação das primas rainha Elizabeth I (Margot Robbie) e Mary Stuart (Saoirse Ronan).

Mary, ainda criança, foi prometida ao filho mais velho do rei Henrique II, Francis, e então foi levada para França. Mas logo Francis morre e Mary volta para a Escócia, na tentativa de derrubar sua prima Elizabeth I, a Rainha da Inglaterra.Desde os primeiros minutos, fica claro que o foco de “Duas Rainhas” está na estética, no quesito maquiagem e penteados. Não foi à toa a indicação ao Oscar da categoria. Ele brilha em tudo visualmente: penteados com cabelos reais, perucas e maquiagem. Especialmente da personagem de Margot Robbie, sofrendo uma verdadeira transformação na pele em algumas cenas. Pude ouvir dentro da sala que assisti, alguém levantar como debate o fato de terem conseguido deixar a Margot feia. Na minha opinião, nem mesmo nessas cenas com maquiagem realista, ela ficou feia.
Porém, fazer um filme não se resumisse apenas a isso, e caso fosse, provavelmente o Oscar seria uma premiação de videoclipes, e não de cinema.


A história parece não saber o que quer mostrar ou dizer, contradizendo alguns aspectos que ela mesma referência anteriormente. Sem falar na resolução instantânea de vários conflitos menores, que poderiam aumentar a dose de drama, mas perdem todo o seu propósito ja que acabam não implicando consequências diretas. Um exemplo disso é: Mary é uma rainha corajosa dentro de sua corte, mas seu meio-irmão conspira contra ela, toma seu trono, e na cena seguinte já é perdoado. São momentos assim que deveriam ter algum peso maior, mas que não existem graças a uma direção falha.

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E falando em falha, o título “Duas Rainhas” vende uma ideia completamente errada de que ambas as rainhas dividirão o protagonismo. O título original “Mary Rainha dos Escoceses”, em tradução livre, faz muito mais sentido, afinal, grande parte do filme é dedicada a contar a história da personagem de Saoirse Ronan. Ainda assim, o ponto alto do filme é o encontro entre as duas, que infelizmente acontece tarde demais para salvar uma produção que já apresentava sérios problemas de ritmo.

A inserção de empoderamento feminino, discussão sobre casamento, maternidade, mulheres em estado de poder, protestantismo vs. catolicismo e outras coisas torna impossível desenvolver tudo satisfatoriamente. E inserir tantas subtramas quando o assunto principal deveria ser melhor explorado (o tempo de tela dado a Margot como Elizabeth e sua corte mostra-se irritantemente curto) é frustrante.

Contudo, a produção traz performances avassaladoras de dois grandes nomes femininos do cinema atual. Na qual, vale a pena conferir nas telonas a dupla que brilha nos papéis das “irmãs” e rainhas e também inimigas.
Para encerrar, segundo os dizeres da época, “uma rainha não tem irmãs, apenas um país”.

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