26 de Junho de 1997, o mundo editorial estava prestes a mudar.

Sou fã confesso de Harry Potter e qualquer pessoa próxima a mim sabe disso, acredito que é uma das sagas de fantasia mais bem escritas da história e não só eu, milhões de fãs dizem a mesma coisa, já que é a série de livros mais vendida no mundo, atrás apenas da Bíblia. Harry Potter não tem uma estória original, a base da série é o que chamamos de jornada do herói, que explicando em poucas palavras é quando se tem um personagem, cuja vida é tão normal quanto a nossa e nisso ele descobre que está destinado a algo maior. A jornada do herói é muito popular, tendo sido usada também em Senhor dos Anéis e em tantas outras sagas clássicas tanto na literatura quanto no cinema. Viram? A base é muito simples, mas o que enrique a trama é a magia e a maestria com que ela é desenvolvida, a excelente escrita da autora (J.K. Rowling) junto a sua enorme imaginação.

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A revolução que Harry Potter fez na literatura já começa pelo fato de que há alguns anos atrás, o mundo literário era criado basicamente por homens. As mulheres sempre tiveram pouco espaço e é raro ver obras famosas escritas por mulheres e que na verdade só foram descobertas que eram escritas por mulheres muitos anos depois, pois as editoras tinham medo de que as pessoas não lessem suas obras só por serem escritas por mulheres. Bom, J.K. Rowling não transformou o mundo literário nesta questão do machismo, antes dela vieram outras como Virginia Woolf, Jane Auste, Agatha Christie e tantas outras, mas sua ajuda também foi de grande valor, porque na época do lançamento do primeiro Harry Potter, na década de 90, ainda havia muita dúvida por parte das editoras ou dos agentes literários se uma mulher era capaz de criar um grande sucesso comercial e o pior, uma mulher frente a um livro infantil de fantasia, pois livros infantis não vendiam, segundo eles. Tinham medo de que os garotos não quisessem ler Harry Potter por ter uma mulher como escritora, por isso, Joanne Rowling virou J.K. Rowling, um nome forte assim como J. R. R. Tolkien que ninguém associaria a uma mulher.

O que já sabemos é que as previsões estavam erradas, Harry Potter se tornou um enorme sucesso, mesmo tendo uma mulher como escritora e mesmo sendo um livro infantil. Crianças e adolescentes do mundo inteiro começaram a ler aquela obra e não só elas, os pais também. Harry Potter havia começado uma nova febre, os livros infanto-juvenis. Nunca se deu tanto valor a essa categoria literária como nos tempos atuais, as editoras começaram a abrir suas portas para novos e desconhecidos autores que tivessem uma boa ideia e que com isso um novo Harry Potter surgisse. Várias foram as tentativas, muitos sucessos de público foram descobertos, como a saga Crepúsculo, Jogos Vorazes, Percy Jackson… Não estou dizendo que estas obras se parecem com Harry Potter, veja bem, digo que uma porcentagem do sucesso delas deve-se a Harry Potter e as portas que ela abriu no mundo literário.

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As editoras ficaram polvorosas em busca de novos escritores, agentes literárias buscavam em todos os cantos uma nova J.K. Rowling, os autores que tinham como maior público o infanto-juvenil, nunca estiveram em melhor estado. Até hoje as editoras ainda não acharam o que procuram desde 1997, um sucesso comercial e de crítica como Harry Potter no quesito fantasia para o público infanto-juvenil, mas é claro, assim como toda moda, criam-se outras e no meio desta procura das editoras, gratas surpresas para outros públicos foram descobertas e assim esperamos que seja, pois a literatura mundial necessita de mais fenômenos assim, pois qualquer tipo de literatura é bem vinda, desde que nos faça imaginar e ir para outros mundos ou simplesmente fazer uma criança se apaixonar por livros assim como Harry Potter fez comigo.