ter, 23 junho 2026

Apenas Coisas Boas | Lucas Drummond vive nova fase no cinema

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Antes de falar muito, Antônio observa. O homem, que vive sozinho em uma pequena propriedade rural no interior de Goiás, em 1984, é cercado pelos afazeres da fazenda, pelos animais, pela terra e por uma rotina que parece ter sido construída para que nada escape do lugar. Seu mundo é feito de silêncio, até que um acidente interrompe a paisagem e Marcelo, um motociclista ferido, cruza seu caminho. Antônio o acolhe, cuida de suas feridas e, aos poucos, vê algo também abrir dentro de si.

É a partir desse gesto – cuidar de outro homem, deixar que uma presença estrangeira atravesse sua solidão – que Lucas Drummond chega ao seu primeiro protagonista no cinema. Em APENAS COISAS BOAS, novo longa de Daniel Nolasco, que estreia nos cinemas em 25 de junho, o ator interpreta Antônio, um personagem que transforma a sua aridez em autodescoberta. O papel marca um ponto de virada em uma trajetória construída entre o teatro, o audiovisual e a criação de seus próprios projetos.

Para Lucas, APENAS COISAS BOAS é um passo importante em sua consolidação como ator de cinema. “O primeiro protagonista em uma obra de longa-metragem é sempre um momento decisivo na carreira de um ator. Tenho desbravado o mercado audiovisual em busca de me consolidar nesse lugar e esse filme é uma conquista muito importante nesse sentido”, afirma.

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A escolha do papel também reforça uma característica que tem marcado a trajetória do artista: o trânsito entre obras autorais, de forte assinatura estética, e projetos com vocação pop. Em APENAS COISAS BOAS, Lucas está no centro de um romance queer rural, sensorial e íntimo, mas também aparece como protagonista romântico e presença magnética diante da câmera. Seu trabalho no filme lhe rendeu o Prêmio de Melhor Atuação no Digo 2026 – Festival Internacional de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás, Melhor Ator no festival cearense For Rainbow e no canadense Reel Out Kingston, além de uma indicação ao Iris Prize, uma das mais importantes premiações internacionais dedicadas ao cinema LGBTQIA+. 

“Tenho vontade de ser percebido como um ator versátil, que transita por mídias diversas e não tem medo de se arriscar. O novo longa me coloca em um lugar muito interessante, porque é um filme autoral, com uma linguagem muito própria, mas que também projeta uma imagem mais pop, mais próxima do público”, diz Lucas. “Acho bonito quando um trabalho consegue reunir essas duas coisas: uma pesquisa artística forte e, ao mesmo tempo, a possibilidade de comunicação.”

Formado pelo Teatro Tablado, onde estudou dos 11 aos 18 anos, e pelo Stella Adler Studio of Acting, em Nova York, Lucas também é roteirista e produtor. Há cerca de dez anos, ele escreve, idealiza e realiza projetos no teatro e no audiovisual, em um movimento constante de criação de oportunidades para o próprio trabalho como ator. “Eu entendi muito cedo que, criando as minhas próprias oportunidades, eu não preciso depender apenas de convites. Quando você se produz, você guia a sua carreira na direção que quiser”, afirma.

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Essa postura aparece em diferentes frentes de sua trajetória. No cinema, Lucas escreveu, produziu e estrelou os curtas DEPOIS DAQUELA FESTA e TODOS OS PRÊMIOS QUE EU NUNCA TE DEI, ambos dirigidos por Caio Scot. Juntos, os filmes foram selecionados para mais de 80 festivais, venceram 10 prêmios e foram licenciados para canais e plataformas. Em 2025, ele também produziu e estrelou NESTA DATA QUERIDA, curta musical escrito por Vitor Rocha, dirigido por André Leão e disponível na Globoplay.

No teatro, idealizou, produziu e atuou em ÓRFÃOS, dirigido por Fernando Philbert, trabalho pelo qual foi indicado ao Prêmio APTR de Melhor Ator. Atualmente, está em cena e à frente da produção em O FORMIGUEIRO, escrito e dirigido por Thiago Marinho, um dos grandes sucessos da atual temporada teatral carioca. Em cartaz desde outubro de 2025, o espetáculo chamou a atenção pela repercussão junto ao público e à crítica e recebeu 4 indicações a prêmios, entre eles, o APTR de Melhor Produção em Teatro. A peça retorna ao Rio de Janeiro para nova temporada no Teatro Ziembinski, na Tijuca, de 3 a 26 de julho.

Na televisão, Lucas interpretou Rael em TODXS NÓS, série da HBO criada por Daniel Ribeiro e Vera Egito, e viveu West em MÁSCARAS DE OXIGÊNIO NÃO CAIRÃO AUTOMATICAMENTE, produção da Max dirigida por Marcelo Gomes e Carol Minêm. No cinema, também esteve em O PACIENTE, de Sérgio Rezende, e em SEGUINDO TODOS OS PROTOCOLOS, de Fábio Leal, trabalho pelo qual foi indicado ao SESC Melhores Filmes na categoria Melhor Ator.

A parceria com Daniel Nolasco, iniciada em APENAS COISAS BOAS, se desdobra ainda em PEQUENAS TRAGÉDIAS, novo longa do diretor, atualmente em pós-produção. 

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Embora nem todos os seus trabalhos sejam voltados para narrativas LGBTQIAPN+, Lucas reconhece que muitas das obras que deram projeção à sua carreira dialogam com questões de sexualidade, gênero e representatividade. Para ele, ocupar esse espaço também tem uma dimensão afetiva e política. “Cresci com pouquíssimas referências LGBT+ na TV e no cinema para me espelhar. Fico muito feliz de poder contribuir para um mercado com mais narrativas queer, para que novas gerações se sintam mais representadas”, afirma. “Isso contribui para a autoestima e para a autoaceitação de jovens LGBT+ e talvez essa seja a função social do meu trabalho.”

Ao mesmo tempo, Lucas faz questão de ampliar os limites dessa imagem. Seu objetivo é ser reconhecido como um ator plural, capaz de circular entre drama e comédia, cinema independente e séries de grande alcance, teatro de pesquisa e produções com apelo popular. Além de atuar, ele canta, escreve, produz e fala cinco idiomas: português, alemão, inglês, francês e espanhol. Essa formação múltipla já abriu espaço para personagens estrangeiros em projetos nacionais e internacionais, como em MÁSCARAS DE OXIGÊNIO NÃO CAIRÃO AUTOMATICAMENTE, em que interpreta um médico norte-americano.

Os próximos meses reforçam esse momento de expansão. Além da estreia de APENAS COISAS BOAS e da nova temporada de O FORMIGUEIRO, Lucas se prepara para captar recursos para levar o espetáculo a São Paulo, filmar PACMAN, seu primeiro curta-metragem como diretor, codirigido com André Leão, e finalizar o roteiro de seu primeiro longa autoral. 

Com APENAS COISAS BOAS, Lucas Drummond ocupa o centro da tela em um papel que sintetiza parte importante de sua trajetória: um artista que cria seus próprios caminhos, aposta em personagens complexos e entende que o cinema brasileiro pode ser autoral, popular, queer, íntimo e magnético ao mesmo tempo.

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Hiccaro Rodrigues
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]