Assassin’s Creed Valhalla – Os assassinos no mundo viking (REVIEW)

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Já fazem alguns anos que os fãs da franquia Assassin’s Creed da Ubisoft estão ansiosos por um jogo com a temática Viking, que sempre foi muito popular no mundo dos games.

Este é o terceiro jogo desta nova fase de Assassin’s Creed, que desde o Origins, seguindo pelo Odyssey, conseguiu reerguer a franquia, trazendo algumas mudanças que foram muito bem vindas.

AC Origins e Odyssey foram jogos muito bons! Eles resgataram o que há de mais interessante no enredo da franquia e trouxeram novas mecânicas que foram muito bem aceitas, mantendo a riqueza de detalhes nos cenários, algo que a Ubisoft tem nunca deixou a desejar em nenhum Assassin’s Creed.

Em Assassin’s Creed Valhalla, vemos um mundo viking muito diferente do que a maioria das pessoas pensa, influenciadas por narrativas que vêm desde os tempos medievais. Esses povos são muito mais complexos do que seu estereotipo, eles possuíam uma civilização rica, com sua própria cultura e costumes. Neste aspecto, para quem se interessa por história, os jogos de Assassin’s Creed em geral trazem muito conteúdo do mundo real misturado à fantasia do enredo e são uma boa desculpa para enriquecer nossa cultura enquanto nos divertimos jogando.

O trabalho de pesquisa da Ubisoft, que envolve historiadores, arquitetos, antropólogos e outros cientistas, sempre foi muito detalhado ao recriar o nosso mundo dentro do game, misturando realidade e ficção. A partir do Odissey que trouxe o modo Discovery Tour, possibilitando ao jogador viajar no tempo e aprender história de um modo separado do jogo tradicional, semelhante à visitar um museu, isso mostra que os desenvolvedores se importam em criar uma experiência que não apenas sirva de entretenimento, mas também nos enriqueça culturalmente.

Os protagonistas do jogo são Eivor ou Sigurd, um casal de irmãos de criação do século IX, um período em que os povos eslavos entravam constantemente em guerra contra os saxões da Britânia (hoje Grã-Bretanha, ilha onde fica a Inglaterra, Escócia e País de Gales) em buscas de terras férteis, algo raro nos climas extremos dos países do norte da Europa.

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Quem assistiu a série Vikins do History Chanel ou The Last Kingdon está familiarizado com este contexto e já tem uma noção de como será a ambientação de Assassin’s Creed Valhalla.

O visual do game e o nível absurdo de detalhes do cenário, ao meu ver, são o ponto mais forte do jogo. Visitar as instalações vikings, ou visitar locais da Grã-Bretanha desta época, é uma experiência fascinante por si só.

Quanto à jogabilidade, o game traz basicamente as mesmas mecânicas de Assassin’s Creed Odyssey, que são bem elaboras e as adapta ao mundo viking. Podemos agir furtivamente ou partir pra cima com tudo, o que nem sempre é uma boa ideia, mas combina muito mais com o estilo dos vikings. Existem algumas mudanças nos combates, especialmente na sensação de peso das armas e em suas opções de customização em raridade e qualidade.

Vale destacar que este é o game com mais elementos de RPG da franquia. Ao evoluir seus equipamentos, é preciso adquirir materiais específicos, que são mais difíceis de coletar que no Odyssey, que também tem isso, mas de uma maneira mais simplificada. O jogo também tem muito mais quebra-cabeças e com um nível de complexidade maior que nos outros dois jogos anteriores.

Outra mudança que pode incomodar um pouco é que agora não é mais tão fácil escalar qualquer lugar. Em vários pontos é preciso passar por trajetos específicos e não dá mais para subir em qualquer coisa. Ao mesmo tempo, é muito estranho ver um viking escalando com tanta facilidade. O seu tamanho e musculatura parecem não combinar com este estilo de vida, diferente de todos os outros personagens da franquia que passam a impressão de serem ágeis e leves.

Em Origins foi introduzida a mecânica de exploração com a visão da águia Senu, e isso se repetiu no Odyssey. Em AC Valhalla, mudaram bastante essa habilidade e já não conseguimos ver todos os detalhes que víamos com os pássaros dos dois últimos jogos. Aqui, a função principal é para nos guiar, especialmente em algumas missões, já que o mapa não revela detalhadamente a localização de pontos importantes.

Este é mais um detalhe que aproxima este jogo de um RPG, pois é preciso prestar atenção em algumas informações coletadas nos diálogos ou em textos, para que a partir daí, possamos usar a visão do corvo e então obter a localização exata, mas primeiro é preciso pelo menos se aproximar da área seguindo estas pistas.

São muitas as opções de armas e o jogador precisa saber o que fazer em cada tipo de situação. Diferente dos primeiros Assassin’s Creed, o combate foi muito aperfeiçoado nos últimos games. Não basta ficar repetindo os mesmos golpes o tempo todo para ter sucesso e também não adianta querer enfrentar dezenas de inimigos de uma vez, provavelmente você vai se dar mal se fizer isso.

O jogo tem um nível de dificuldade maior que os anteriores, alguns combates com chefes se tornaram muito interessante, porém, em alguns momentos os bugs de câmera e mesmo a inteligência artificial dos inimigos podem atrapalhar a experiência.

Os bugs típicos continuam e já soltaram um patch de atualização que provavelmente corrige alguns deles, mas provavelmente serão necessários vários outros até chegar num ponto que não incomodem, pois em alguns momentos são bem frustrantes.

A dublagem em português está muito bem feita, especialmente nos personagens principais, arrisco dizer que deve estar praticamente no nível da original. Esta atenção ao público brasileiro é um ponto muito positivo da Ubisoft, o qual devemos sempre elogiar para que outras empresas também se esforcem em traduzir seus games com a mesma qualidade. Em um jogo enorme e de mundo aberto como este, isso é algo bem complicado e trabalhoso. Que bom que de uns tempos pra cá, cada vez mais empresas estejam dispostas a investir na dublagem dos seus jogos para o nosso idioma (seria bom se a Rockstar tivesse feito o mesmo com Red Dead Redemption 2).

A história é muito interessante, porém, mesmo nas missões principais, vemos que a trama principal da franquia foi deixada em segundo plano. O enredo foca muito na mitologia nórdica e vemos aqui um pouco das ideias usadas em Hellblade: Senua’s Sacrifice para justificar a mistura dos elementos mitológicos com a realidade, justificando com o que se passa na cabeça do protagonista.

Outros jogos também influenciaram fortemente Assassin’s Creed Valhalla, além de obviamente os seus antecessores, como é o caso The Witcher III, e Red Dead Redemtpion 2, o que não é uma coisa ruim, já que são jogos excelentes.

A vegetação e fauna trazem novos animais e uma boa variação de paisagem e clima. Juntando isso a uma trilha sonora excepcional, criam uma ambientação incrível e com um visual maravilhoso, tudo é lindo e enche nossos olhos.

Mas se por um lado o visual está muito bom, a inteligência artificial continua cheia de falhas como nos outros jogos. Se os gráficos são realistas, toda essa imersão se quebra ao vermos os mesmos bugs típicos ou o comportamento bizarro de alguns NPCs. Ao meu ver, nesta nova geração, este tipo de problema é o que mais prejudicará a experiência, já que visualmente, para a maioria das pessoas, os gráficos já estão num nível de realismo que já é mais que o suficiente.

Se você é o tipo de pessoa que quer que o jogo te traga muito conteúdo para valer o seu investimento, pode ficar tranquilo que Assassin’s Creed Valhalla é um jogo grande, muito grande! Tem muita coisa pra fazer, muitas missões secundárias interessantes, algumas com um tom de zoeira e outras que aprofundam na história do game ou na cultura dos povos vikings. Quem relaciona diretamente o preço pago com o tempo de jogo, temos aqui um excelente custo benefício, especialmente se você esperar por uma promoção, o que eu recomendo fortemente.

Como é de se esperar, algumas missões acabam sendo repetitivas e cansativas, especialmente para quem já jogou muitos jogos de mundo aberto. Mas o que eu particularmente acho vai incomodar muita gente, é o tempo exagerado gasto no deslocamento de um ponto a outro, especialmente se não for a primeira vez que se percorre um trajeto, ou mesmo com a necessidade de ter de parar de seguir as missões principais para fortalecer seu personagem ou melhorar seus equipamentos. Tem quem goste de fazer estas coisas, mas se você não tem paciência, talvez este jogo seja para um público diferente.

CONCLUSÃO

Assassin’s Creed Vallhala aperfeiçoa os combates e outras mecânicas dos jogos anteriores. Este é o game que mais se aproxima do que podemos chamar de RPG de ação com muita exploração, mapa gigantesco, história interessante, gráficos muito bonitos e enorme quantidade de conteúdo. Porém, ele distancia ainda mais a franquia da sua origem e os fãs da primeira geração de Assassin’s Creed (antes do Origins) terão a sensação de terem sido deixados de lado. Este é um jogo que manteve o que deu certo nos dois últimos e se adaptou bem a temática Viking, infelizmente também manteve também os mesmos bugs típicos. Consigo entender a frustração dos jogadores que amavam a franquia nos tempos de Altair e Ezio, mas deixando essa nostalgia de lado, Asssassin’s Creed Valhalla é um jogo excelente! Apesar de não trazer nada muito inovador, ele é muito bom no que se propõe e não decepcionará ninguém que goste deste estilo.

Macaoshttps://estacaonerd.com/games
Macaos - Graduado em Jogos Digitais e desde 1998. escrevendo em sites e fóruns de games. Antes disso, colaborador em locadoras de games no início da década de 90; Emfim... um Old Gamer com muita experiência.

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