Anunciado pouco tempo depois de “Batman vs Superman: A origem da justiça”, “Capitão América: Guerra Civil” tinha a difícil missão de não só encenar um confronto de super-heróis da Marvel. Mas também de adaptar para os cinemas uma das histórias em quadrinhos mais bem-sucedidas dos últimos tempos e introduzir ainda mais personagens a um elenco que já é grande e cresce a cada longa.

Ao estrear no Brasil nesta quinta-feira (28), o novo filme de Capitão América, Homem de Ferro e companhia prova que os estúdios Marvel realmente aprenderam como fazer uma produção do gênero.

“Guerra Civil” utiliza tudo que foi construído nos últimos 12 filmes da editora para entregar quase 2h30 de ação e bom humor que não parecem gratuitas ou exageradas.

Se é o melhor filme da Marvel? Não. “Capitão América 2: O Soldado Invernal” ainda é um pouco melhor, mas ele chega bem perto. “Guerra Civil” tem que mostrar muita gente e explicar toda a treta entre os Vingadores. E apesar de fazer isso bem, é normal que algumas partes não fiquem tão bem desenvolvidas.

O que dá para cravar é que o terceiro “Capitão América” é a produção mais importante da editora até aqui. É como se os últimos 8 anos de filmes de super-heróis tivessem sido produzidos só para que pudéssemos ver esse grande confronto.

O filme é parecido com a HQ?
Caso você não saiba, “Capitão América: Guerra Civil” é inspirado em um grande evento de 2006 da Marvel. O arco de histórias envolveu quase todas as revistas da editora e foi escrito por Mark Millar – um rapaz bastante eficiente que também criou os quadrinhos que deram origem aos filmes “O procurado” (2008), “Kick-Ass” (2010) e “Kingsman – Serviço Secreto” (2014).

O dilema da guerra civil no filme e no gibi é mais ou menos o mesmo: revelar (ou não) a identidade de todos os super-heróis mascarados e os colocar (ou não) sob o controle do governo. Capitão América e Homem de Ferro discordam sobre os termos desse acordo, mas o que motiva esse plano e as reações de cada um dos líderes a ele são muito mais pessoais no cinema.

Após mais um incidente envolvendo os Vingadores, a atuação livre e sem supervisão dos super-heróis é colocada em xeque. O filme então recapitula as batalhas de Nova York (“Vingadores”), Washington (“Capitão América 2: O Soldado Invernal”) e Sokovia (“Vingadores: Era de Ultron”) e bate na tecla de que o grupo até tem boas intenções, mas que o caminho para elas está permeado por morte e destruição.

Homem de Ferro também forma sua própria equipe em 'Guerra Civil' (Foto: Divulgação/Marvel)

Nesse sentido, “Capitão América: Guerra Civil” parte de um pano de fundo mundial, e não restrito aos Estados Unidos, como nas HQs. Isso ajuda a dar peso à cadeia de eventos que começou lá atrás, no primeiro “Homem de Ferro” (2008), e ganha a cada filme uma maior noção de causa e consequência que não isenta o time de super-heróis de questionamentos.

A reação do Capitão América contra o acordo também é uma questão muito mais emocional do que moral e histórica, como nos gibis. Os ideais liberais estão ali, mas Steve Rogers fica dividido de verdade por causa de Bucky Barnes, o Soldado Invernal, seu antigo companheiro de guerra que oscila entre o cara gente boa de outrora e a máquina de matar treinada pela Hydra.

Já o Homem de Ferro luta pela regulamentação por ainda se sentir culpado pela criação de Ultron, a inteligência artificial responsável pela destruição em Sokovia. No filme, ser um líder político é menos importante para Tony Stark do que manter sua consciência tranquila.

Essa suavização do debate ideológico entre os dois super-heróis (liberalismo x estadismo) também acaba se refletindo nas cenas de combate. Nas HQs, a noção de guerra é muito mais intensa, pois são dezenas de personagens levando o conflito até as últimas consequências em todos os estados dos EUA.

No filme, os super-heróis também saem na mão e empolgam, mas fica aquela sensação de que eles estão dando uma aliviada pra não machucar porque, né, brincadeira de mão nunca dá certo e sempre acaba em choro.

E o Homem-Aranha?
O super-herói mais popular dos quadrinhos só aparece por 3 segundos no trailer de “Guerra Civil”, mas pode ficar tranquilo que no filme a parada é séria. O jovem Tom Holland, de apenas 19 anos, já é o Homem-Aranha mais espirituoso e bem-humorado dos cinemas, mas sem deixar de lado todo o seu poder e compromisso com aquilo que acredita.

Homem-Aranha aparece pela primeira vez em filmes Marvel no novo trailerl de 'Capitão América 3: Guerra Civil' (Foto: Reprodução/YouTube/Marvel)

O ator traz uma combinação de inocência e empolgação que é contagiante e torna o jovem Peter Parker muito carismático. É sério, é impossível não se divertir em qualquer uma das cenas do novo Aranha.

Até rola uma sensação de que o cabeça de teia foi encaixado meio que de última hora, já que ele aparece e some da trama sem mais nem menos, mas é porque isso realmente deve ter acontecido. Afinal, Sony e Marvel anunciaram Holland como o novo Homem-Aranha há menos de um ano, muito depois do início da produção. Nada que impeça que seus momentos em cena sejam alguns dos melhores do filme.

Sem dúvidas, deve ser um dos melhores filmes do ano!