O Texas tem Paris, já Pernambuco tem Buenos Aires, uma pacata cidadezinha interiorana, onde os moradores tentam recriar sua versão pernambucana da capital argentina, mesclando elementos sócio-culturais de ambos locais. Lá, o tango vira melhor amigo do Frevo, o time de futebol local recebe o nome de Boca Juniors, as faixadas das casas são pintadas para assemelharem-se ao Caminito, os moradores, por vezes, torcem para os hermanos na Copa do Mundo e comemoram suas vitórias como se elas também os pertencessem.
O argumento inicial do filme instiga, afinal é impossível não se divertir com essa (con)fusão cultural, que resulta em uma argentinidade brasileira, ou melhor dizendo, pernambucana! Ao tentar incorporar o máximo de elementos possíveis da cultura – ou, pelo menos, dos estereótipos culturais, de nossos vizinhos – a cidade acaba, na verdade, criando costumes bastante singulares.

Porém, por mais que desperte a curiosidade, o desafio é manter o interesse durante seus 70 minutos, que não tem muito a oferecer para além da premissa e parece se estender forçosamente para justificar-se enquanto longa. Entre alguns personagens naturalmente carismáticos que cativam pelo bom humor com o qual conduzem seus segmentos da história – em especial o coveiro, o cantor frustrado, a professora de espanhol e o único morador argentino – outros balbuciam sem nenhuma vontade diálogos – muito provavelmente ensaiados – que além de não soarem naturais, ainda soam aborrecidos.
Quando explora a vivência peculiar daquela municipalidade, a leveza e comicidade tomam conta da tela, porém conforme passa a focar cada vez mais apenas no futebol, o filme atinge uma barreira criativa e aos poucos perde a atenção a princípio conquistada. Uma boa ideia não necessariamente se converte em um bom filme e um fato excêntrico sobre uma pequena cidade não garante a qualidade de um documentário, afinal no cinema o tema não pode se bastar como um fim em si mesmo.


