qua, 17 julho 2024

Crítica | A Batalha do Biscoito Pop-Tart

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A Batalha do Biscoito Pop-Tart é o novo filme distribuido pela Netflix, que estreou no primeiro final de semana do mês (dia 03/05), escrito, dirigido e estrelado por Jerry Seinfeld, o longa-metragem é uma comédia que conta uma história semi fictícia sobre uma batalha entre a Kelloggs e o Post – duas marcas gigantes da indústria de cereal – pela criação de um novo produto de café da manhã, que fosse prático, saboroso e inovador por não precisar ser consumido com leite.  

O protagonista, levemente inspirado em um ex-gerente da Kelloggs, conta como ele reuniu esforços com uma equipe de profissionais excêntricos para combinar os talentos peculiares de cada um na confecção dos biscoitos pop-tarts, uma guloseima altamente popular nos Estados Unidos, até os dias atuais. 

A empreitada é contada de forma galhofa e tenta fazer piada não só com a situação, como também com a indústria alimentícia em geral. Infelizmente, nenhuma das piadas funcionam, nem como humor de constrangimento. O texto não é inspirado e até veteranos da comédia, como Melissa McCarthy (Bridesmaid) sofrem para tentar – sem sucesso – imprimir alguma comicidade no projeto que é absolutamente sem graça.  

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O filme concentra todos seus pífios esforços na tentativa de humor e falha, enquanto isso nem sequer finge se importar com os arcos dramáticos que são completamente escanteados. Parece que o Seinfeld confiava demais em suas piadas para sustentarem o longa, mas para que isso fosse minimamente possível, o timing cômico precisaria ser infinitamente melhor. A sensação é de passar quase uma hora e quarenta ouvindo aquele tio chato bêbado fazendo gracinhas, das quais só ele consegue dar risada. 

O realizador até tenta abraçar o camp, no entanto não sabe como fazê-lo e não chega nem perto de conseguir o efeito desejado, porque não abraça o absurdo para além das tosquice. Ou seja, introduz alguns personagens com roupinhas esquisitas e penteados “engraçados”, agindo de maneira tola, achando que isso basta uma estética camp. Como resultado o filme fica fora do tom almejado e ao invés de divertir, cansa.  

No meio da narrativa, ainda jogam de qualquer jeito uma subtrama sobre máfia do leite, que chega do absoluto nada e não leva a lugar nenhum. Esse segmento reflete bem o maior problema do longa, já que todas as ideias parecem terem sido enfiadas na trama de forma descuidada e mal desenvolvidas.  

O projeto também não se sai melhor nos comentários políticos que – timidamente – pretende fazer sobre consumismo e capitalismo. Ressalta-se que nenhuma obra de arte tem obrigação de ser panfletária ou militante, contudo, se existe uma intenção de crítica social é preciso que ela seja bem-feita. Até porque, existe uma diferença gritante entre tecer críticas sutis, deixando-as subentendidas e fazê-las de modo tão superficial que não chegam a criticar nada, como é o caso desse filme.   

Até para uma opção de filler de catálogo de streaming, os padrões de Batalha do Biscoito Pop-Tart são muito baixos, o filme não convence nem mesmo como diversão descompromissada, já que dificilmente irá divertir até mesmo os menos exigentes.  

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Raíssa Sanches
Raíssa Sancheshttp://estacaonerd.com
Formada em direito e apaixonada por cinema
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