qui, 9 julho 2026

Crítica | A Cronologia da Água

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A Cronologia da Água é um longa que traz uma metáfora interessante envolvendo a questão do relacionamento da protagonista com a água, e vai sustentar todo esse escape da mesma em lidar com seus traumas. A produção marca à estreia da atriz Kristen Stewart na direção, baseado na autobiografia de Lidia Yuknavitch. Tendo crescido em um ambiente assolado pela violência e pelo álcool, Lidia tem dificuldade em encontrar seu caminho. Ela consegue fugir de sua família e entra na universidade, onde encontra refúgio na literatura

Sendo um longa de estreia na direção, ele traz certos exageros característicos de repetições de passagens no decorrer do filme. Seja para mostrar por diversas vezes a mesma coisa e tornar tudo meio inflado ou superficial. Ou passagens curtas que mais atrapalham a conexão com o longa do que ampliam para uma narrativa mais versátil. Fato é que o apreço de Stewart pelo independente é bem empolgante e a busca por uma personalidade é a melhor “primeira impressão” possível que ela poderia alcançar nesse primeiro trabalho, mas essa desconexão com a obra em si acaba atrapalhando.

Um pouco pretensioso ela se aproximar tanto dessa galera artística e que no filme acaba soando mais vazio e banal com o principal núcleo da história, o abuso. Deixando de lado a principal ferida do filme, a coisa mais interessante, e se aproximando de momentos que fazem os cortes temporais realmente tirarem a força do filme. E assim, não efetuando um real peso dos acontecimentos com sua boa protagonista.

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Até mesmo os momentos em que ela inicia sua carreira de escritora, passam muito batido, é uma distância com seu telespectador. Seus relacionamentos são decorridos de passagens rápidas, é muito difícil se conectar especificamente com esses momentos. Em uma cena vemos a felicidade e um alívio com a protagonista, no outro ela já estabelecendo um término e o problema, não existe a passagem natural disso tudo.

E a escolha visual é bem interessante, intercalando esse amor da Stewart pelo cinema independente, sempre entregando bons frutos. Mas as vezes atrapalhando e não casando com essa quebras da narrativa na vida de Lydia.

O melhor ponto fica por conta da metáfora da água. E toda uma passagem de capítulos sustentada por essa ideia. A fuga da protagonista de seu abusador, que não sabe nadar, e a construção de sua carreira por meio da também fuga através da literatura, expondo seus medos e traumas para o mundo. Se por bem ou mal, o longa de estreia de Stewart demonstra bastante personalidade, por mais que exiba certos excessos ou déficit ao longa de sua jornada.

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Destaque

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