A forma da água, filme com 13 indicações ao Oscar 2018, chega aos cinemas embrulhado em expectativas e não decepciona. Com uma narrativa simples, na qual uma mulher solitária que se sente incompleta, encontra em uma criatura a conexão que falta na sua vida. Simples né? Essa simplicidade encanta e faz você se apaixonar do início ao fim.

Neste novo filme de Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno) temos uma coletânea de simbolismos e elementos fantásticos que operam conjuntamente como uma metáfora político-social. Del Toro Fala da natureza humana e da atualidade que nos atinge com subjetividade, sem com isso deixar que a mensagem não seja captada. O filme é dirigido por ele com maestria.

Para sua parábola o diretor decide usar uma criatura inspirada no “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), que lembra bastante outro personagem de filmes do próprio Del Toro, o Abe de Hellboy (se não lembrar procura no google) esse personagem é o “monstro” mais expressivo de Del Toro, personificado através de Doug Jones (HellBoy) um belo e complexo trabalho de maquiagem que deve ser premiado.

É o que falar das atuações? Em resumo incríveis. Michael Shannon (O abrigo) é um vilão que irá lhe causar repulsa, suas motivações são de puro egoísmo, um psicopata que vive num mundo paralelo. Seus preconceitos são diretos, sua vontade realizada custe o que custar. Uma pena que não tenha conseguido indicação ao prêmio de melhor ator.

Octavia Spencer (A cabana) nos dá uma interpretação cheia de bom humor e determinação. Assim como o personagem de Richard Jenkins (O visitante) que rouba as cenas com sua doçura e coragem.

Sally Hawkins (Blue Jasmine) exterioriza todos os seus sentimentos através de suas ações (a sua personagem é surda) mostrando todos os desejos e esperanças numa interpretação surreal. Mas do que merecida a sua indicação.

Outro ponto positivo e de tirar o fôlego neste filme é a fotografia, a paleta de cores escolhida por Dan Laustsen (A Colina Escarlate) é absurdamente linda nos mergulhando em um mundo de azul petróleo e verde água. A trilha sonora é sublime, com direito a música brasileira na trilha sonora.

Porém nem tudo é perfeito, algumas pessoas mais conservadoras podem achar algumas sequências do filme meio desnecessárias (leiam totalmente desnecessária), além de uma bizarra cena de musical que destoa do tom sóbrio da produção.

Em resumo, A Forma da Água é um fantástico filme de fantasia, uma fábula dos tempos de intolerância que vivemos. Não é a obra prima de Del Toro, mas este merece o Oscar de melhor diretor e quem sabe de melhor filme.