Vou começar essa crítica com a mesma frase que disse a Uillian, editor chefe e coração do Estação Nerd, após assistir a pré estreia do filme. “Se você gostou de Batman vs Superman você vai amar esse filme, se você odiou ele… (pausa para suspense) você vai gostar demais.” Em resumo, A liga da justiça é um bom filme, o segundo melhor do Universo compartilhado da DC, perde ainda de lavada para Mulher Maravilha (confira essa crítica aqui).

Mas o que faz com que todos saiam gostando da nova obra de Zack Snyder (Watchmen – O Filme) ? A resposta é simples: a mudança de tom. Nessa nova aventura da DC há um equilíbrio entre o tom sombrio e sério (marca registrada dos quadrinhos) com momentos leves e de pura diversão. Para ter ideia até o Batman faz piada (sim, O CAVALEIROS DAS TREVAS).

Nesta nova aventura o mundo está em luto com a morte do Superman, a violência está aumentando e uma nova ameaça, o Lobo da Estepe, surge obrigando Batman e Mulher Maravilha a recrutarem outros indivíduos para salvar o mundo.

Apesar da ideia simples e batida, o filme sofre com o ritmo na sua primeira hora por mostrar muita coisa acontecendo que não leva a lugar algum e com alguns furos no seu roteiro feito a três mãos Snyder/Chris Terrio e Joss Whedon que deixariam uma peneira com inveja. O roteiro é falho sim, mas nada que prejudique o filme. Pois o elenco do grupo de heróis salva o dia e o filme.

O Batman de Ben Affleck (BvS) é pura culpa e remorso pelos acontecimentos vistos em BvS, mas que tenta a todo momento mostrar um lado mais humano, o Aquaman de Jason Momoa (Amores Canibais) surpreende mostrando uma nova versão do herói, dando a ele um ar de bad boy marrento e beberrão, bem diferente do que vemos nos desenhos do Hanna-Barbera, o Aquaman bobo e que “falava com os peixes”, O Flash de Ezra Miller (As vantagens de Ser invisível) rouba as cenas com seu humor falastrão e suas caras e bocas, completando o time temos a exuberante e talentosa Gal Gadot que esbanja carisma como a Mulher Maravilha. O ponto fraco do time é Ray Fisher como Ciborgue, que passa 80% do filme reclamando de sua condição biônica, provavelmente por culpa do roteiro.

Um dos pontos de destaque do filme.

Porém o grande destaque do filme é a participação de Henry Cavill (BvS) como Superman que pela primeira vez trás uma interpretação digna do maior herói de todos os tempos, carismático sendo realmente um símbolo de esperança, o que confesso não tinha visto nos  filmes anteriores.

O vilão trás alguns grandes problemas: o primeiro problema é em relação ao seu visual, bem diferente do que vemos nos quadrinhos, seguido pelo péssimo uso do CGI que lhe dá uma aparência estranha durante toda a projeção (não é a primeira vez que a DC falha nesse aspecto), outro problema, este bem comum em filmes de super heróis, é a motivação do vilão. Neste caso o filme até cita ela, porém em momento algum durante seus 120 min. de duração ela é aprofundada ou desenvolvida, o papel do Lobo da Estepe é basicamente servir de razão para a reunião do grupo de heróis.

A fotografia que é um ponto alto da cinebiografia de Snyder aqui está confusa, talvez pelo afastamento do diretor devido a morte de sua filha. O 3D funciona muitíssimo bem, dando ao espectador não apenas objetos jogados na sua cara mas também profundidade nas cenas.

A Liga da Justiça é um bom filme, divertido e com um ótimo elenco. Mesmo com seus problemas de roteiro consegue unir drama com humor, tem vários Easter Eggs e duas cenas pós créditos que irão deixar o seu coração batendo mais forte (em especial a última). A DC está no caminho certo para trazer definitivamente a era de ouro dos heróis de volta. Viva!