Crítica | A Menina que Matou os Pais

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O Menino que Matou meus Pais e A Menina que Matou os Pais são filmes que mostram duas versões de um mesmo crime pela ótica de seus autores: Suzane von Richthofen e Daniel Cravinhos. Ambos foram condenados a mais de 30 anos de cadeia pela morte dos pais de Suzane, Marísia e Manfred von Richthofen. A obra baseada em fatos reais foi produzida a partir de depoimentos e das informações que constam nos autos do processo – e apresenta os pontos de vista diferentes do casal de criminosos. Está crítica focará no que foi apresentado em A Menina que Matou os Pais, que será lançado no Amazon Prime Video.

Galeria Distribuidora/ Divulgação

A Menina que Matou os Pais é totalmente focado na versão de Daniel Cravinhos. Essa obra possui mais problemas narrativos do que O Menino que Matou meus Pais. A proposta ousada, e que raramente é vista no cinema, sofre com a repetição de diversas cenas da obra anterior, além de um número gigantesco de buracos no seu roteiro. Afinal estamos vendo o ponto de vista de Cravinho e ele se completa ou se contradiz com o apresentado por Suzane, mas a sensação que o espectador tem ao ver é de que está quase que vendo o mesmo filme com cenas que sobraram.

O roteiro segue sendo não-linear e ainda assim sofre para conseguir dar vida ao papel de bom moço para Daniel Cravinhos (Leonardo Bittencourt). A tentativa de humanização do personagem se resume a colocar ele como herói, que resolveu dar fim aos abusos dos pais de Suzane, que aqui são apresentados como vilões.

O roteiro aqui cria, a partir do testemunho do assassino nos autos, uma colisão de universos; ele, pobre, ingênuo e batalhador se apaixona por uma garota rebelde que quer apenas ter liberdade, pois é constantemente humilhada por seus pais autoritários. O filme aqui até flerta com uma reflexão: sobre o motivo do crime. Mas temos tantos furos, tantas lacunas em branco e muita falta de uma confirmação sobre o que é realmente verdade, o que torna difícil comprar os fatos apresentados.

O único fato que ambas as obras apresenta em comum, e que nessa é mais perceptível, é que Daniel Cravinhos em ambas a narrativas e aos olhos dos pais da jovem Suzane era “um pobre coitado” e que a família não aprovava o relacionamento. Um detalhe que chama atenção é a evolução do lado sombrio e rebelde de Suzane, que começa com pequenas “birras” e evolui para coisas mais sinistras, como a elaboração do plano para se livrar dos pais.

Galeria Distribuidora/ Divulgação

A química entre Carla Diaz (O Clone) e Leonardo Bittencourt (Segunda Chamada) é ótima, mas aqui a relação entre eles é mais densa e tem camadas mais interessantes, já que ambos são apresentados como conscientes de suas escolhas. Novamente Diaz rouba as cenas e constrói uma versão muito mais sombria e intensa de Suzane. Porém a direção de Eça perde diversas oportunidades de confirmar que Daniel se perdeu nas ficções criadas por Suzane, afinal essa versão quer mostrar que Daniel salvou a moça de pais cruéis ou que ele foi levado a crer nisso por uma pessoa que o manipulou?

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A Menina que Matou os Pais é um complemento de O Menino que Matou meus Pais, mas acaba em alguns momentos atrapalhando a narrativa sobre o crime que chocou o Brasil, e também na proposta de humanizar o homem que matou os pais de sua namorada.

Ambos os filmes estreiam dia 24 de Setembro no Amazon Prime Video.

Revisão Crítica

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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