Nesta última década, a franquia Evil Dead vem construindo uma espécie de antologia, iniciada com Rise, com uma proposta mais diferente do habitual na franquia, e assim conseguindo mesclar elementos clássicos da franquia e ainda sim uma personalidade própria com sua história. Aqui, tudo parece mais genérico e um tanto descartável, passando por uma leve dificuldade em estabelecer conexão com seu público aos seus personagens.
Após a perda do marido, uma mulher busca consolo com seus sogros. Quando eles se transformam um a um em deadites, ela descobre que os votos que ela fez na vida sobrevivem até mesmo na morte.
O principal problema fica por conta de criar uma rede de personagens tão detestáveis que fica difícil simpatizar ou torcer pro algum deles. Claro, temos a protagonista definida, Alice, a mais apreciável aqui para algum apreço e com certeza a personagem que mais sofre aqui. Mas desde sua apresentação, o leque de personagens é tão depreciativo e sem carisma que fica difícil sustentar alguém. É evidente que o foco do filme além do sangue e violência extrema é o núcleo familiar e o relacionamento abusivo da protagonista com se ex marido. Porém na questão de núcleo familiar parece que não existe dualidade aqui, em especial a mãe e pai são bastante unilaterais e irritantes.

E comparando com seu antecessor, Rise, onde o núcleo familiar é bem estabelecido e um apreço por aqueles personagens e uma invasão do terror é sentida desde seu início. Aqui não, quando o mal entra naquela casa, o que ganha mais espaço é a violência mesmo e o ballet pelas estruturas frágeis daquela velha casa. A questão emocional ou até mesmo carismática da franquia ganha tons mais genéricos, justamente por não trabalhar melhor aqueles personagens. Por exemplo, existe uma estrutura envolvendo o personagem do Joseph e uma questão de covardia quanto sua figura, mas nunca é desenvolvido ou apresentado de forma que o público consiga se importar, ou melhor, compreender tantas provocações. Até mesmo a questão do abuso doméstico é passada apenas em rápidos flashbacks da protagonista em meio ao caos.
Do melhor para se tirar existe uma diversão por conta do alto grau de violência e gore aqui. O início da possessão é interessante, até remete o famoso jantar de “O Massacre da Serra Elétrica” com diversas provocações e uma tensão crescente ao longo do evento. E conforme tudo começa a desmoronar e as mortes vão ficando cada vez mais violentas tudo acaba culminando em um caos e a câmera sendo um passeio por toda a casa caindo aos pedaços até combina com uma estrutura desenfreada que o diretor quer passar. As constantes trocas de ferramentas de batalha são bacanas de se acompanhar, seja um serrote novo remetendo à velha motosserra icônica da série ou a famosa menção da adaga muito conhecida na antiga série de tv “Ash vs Evil Dead”.

A Morte do Demônio: Em Chamas é o capítulo da franquia mais próximo de algo genérico que já se produziu. Ele investe tanto na violência desenfreada que acaba não criando sua própria personalidade. E a falta de costura com seus personagens os tornam descartáveis e sem qualquer apreço por suas vidas. De todo um modo, ele diverte e tem seções divertidas conforme acompanhamos a destruição daquela casa.


