qua, 15 julho 2026

Crítica | A Morte Habita à Noite

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O cinema nacional deu grandes passos este ano, e “A Morte Habita à Noite” foi mais um desses passos, mas um passo para trás. Quando se trata de erros e acertos, a produção não só contém grandes erros como persiste neles. Raul é um homem que aos 50 anos se encontra desempregado, alcoólatra e apaixonado por sua namorada Lígia. Quando Lígia o abandona, Raul parece inconsolável, até se encontrar com Cássia, uma jovem cheia de vida que lhe mostra outro lado da vida. 

Um filme parado, negativamente mórbido e sem melhora nenhuma em ponto algum do início ao fim. É difícil até mesmo dizer sobre o que o filme se trata, uma vez que os acontecimentos não seguem uma linha lógica. O filme começa errando com seus diálogos sem sentido e mal escritos, que provavelmente poderiam ter sido roteirizados por qualquer estudante do primeiro semestre de cinema, mas ainda resta um pouco de esperança de que algo no filme salve. Mas não salva. Todas as falas, todos os gestos, todas as ações, tudo que faz do filme o que ele é é extremamente raso e superficial. Salvam-se as poucas reflexões que são feitas através dos poemas do protagonista.

Mesmo visualmente falando, o filme é pobre, não faz uso amplo de planos e enquadramentos usando sempre a mesma abertura geral, o que pode causar certa angústia no telespectador. Os cenários mostrados tem sempre a mesma iluminação mórbida, que talvez em certos momentos seja proposital, mas acaba dando a impressão de que o filme é parado o tempo todo. Felizmente, o filme acerta em alguns pontos como a retratação da pobreza urbana e o que decorre dela. É quase fácil demais ver a realidade retratada de forma fiel em certos cenários, cenas e falas. Essa pobreza é vista de maneira maior no protagonista, mas se estende por todo seu círculo de convivência, trazendo personagens que não tem tanta profundidade mas tem uma característica em comum: são afetados por ela.

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A atuação também não é ruim, mas é fraca. Os momentos em que é necessária a troca de sentimento entre o telespectador e o personagem deixam a desejar e poderiam trazer a verdadeira missão do filme a tona se fossem realmente executados com maestria. A missão do filme, que é mostrar um processo em descobrir outro sentido para a vida, acaba não realmente acontecendo, e se tornando apenas um ponto solto entre tantos outros. Essa missão talvez fosse realizada se não fosse tão difícil ficar uma hora e meia parado para prestar realmente atenção nos pseudo-acontecimentos desse filme.

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