Crítica | A Oitava Noite

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O cinema asiático, em especial o coreano, é cheio de obras originais e pra lá de apaixonantes. No quesito obras de terror, esse cinema está a anos luz do ocidental e produz verdadeiras pérolas a cada ano. Para aumentar a lista de produções do gênero, estreou na Netflix, A Oitava Noite, terror que conta a história de um que monge caça um espírito milenar que está possuindo humanos e quer trazer caos à Terra.

Netflix/Divulgação

A sequência introdutória de A Oitava Noite nos revela que a “2.500 anos atrás, um monstro começou a abrir a porta que liga o reino humano ao Inferno, a fim de fazer os humanos sofrerem.” A cena de abertura aponta que veremos mais uma obra pra lá de original, mas com o passar do tempo percebemos diversas referências a outros filmes. Essas referências com o tempo vão se amontoando uma em cima da outra e no fim temos apenas uma colcha de situações que lembram cenas já vistas em longas como Indiana Jones e O Exorcista, além de outras obras. As referências visuais e narrativas, funcionam, mas no fim deixam um gosto agridoce, pois já vimos aquilo e num filme original revisitar obras é algo estranho. O roteiro escrito por Kim Tae-hyoung consegue criar tensão em algumas situações, mas ela se dissipa com o tempo, pois a trama aqui é muito arrastada e repetitiva, só no primeiro ato a mitologia é explicada umas três vezes e apenas quando o espírito atingi um certo estágio e entra em conflito com os protagonistas pela primeira vez é que o filme melhora substancialmente. Até chegar nesse momento o que temos é uma obra cansativa e que mal saí do lugar. Os que sobreviverem a esse momento podem se considerar sortudos e podem se agradar com o desenrolar da trama.

Se o roteiro não é original, os cenários e por onde a dupla protagonista passa até chegar ao ato final, até que são. As florestas usadas e a escuridão se tornam um alicerce interessante na construção da tensão. O diretor Kim Tae-hyoung (Love Yourself in Seoul) tenta criar algo mais do que um simples thriller sobrenatural e até consegue. Os efeitos visuais, quando usados não surpreendem, mas não comprometem. O longa não tem grandes sustos, e o diretor investe mais na tensão das situações. Quando usa do conhecido Jumpscare, o faz de modo eficaz. Quem desejar levar sustos apenas por levar, pode se decepcionar com essa obra que foge de propostas clássicas, como a inevitável constante de luta do bem contra o mal.

Netflix/Divulgação

O elenco tem atuações boas dentro da proposta, os destaques do filme são a dupla Lee Sung-min (Misaeng) e Nam Da-reum (Enquanto Você Dormia) que enfrentam ao menos nos cinquenta primeiros minutos o espírito maligno mais preguiçoso do ano e mesmo com sua ausência seguram as pontas.

A Oitava Noite é uma obra interessante que carece de identidade própria e principalmente de ritmo. O filme acaba funcionando mais como uma releitura de diversos clássicos do terror ocidental. Os fãs do terror coreano e das obras sobrenaturais, ainda assim podem sair satisfeitos ao fim do filme, se conseguirem chegar até ele.

Revisão Crítica

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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