Baseado em fatos reais, A Ordem narra a tentativa de um agente do FBI de por fim às atividades criminosas de um grupo nazista e supremacista branco, nos Estados Unidos, no começo da década de 80. Os terroristas assaltavam bancos para financiar uma espécie de milícia privada de fanáticos religiosos. Além dos discursos de ódio, seus membros eram atraídos pela promessa de fazerem parte de uma grande família e recebiam até salário para participar da organização. Agiam de modo sistemático, hierárquico e organizado, silenciando quem falasse demais, o que dificultava sobremaneira as investigações policiais.
O suspense do filme se constrói ao explorar o despreparo dos agentes estatais para lidar com um grupo tão bem organizado. Os “mocinhos”, por melhores que sejam suas intenções, representam a dificuldade do Estado em combater essas células terroristas, por estarem bem menos estruturados do que aqueles que buscavam combater.
O embate é travado em torno de duas figuras principais, de um lado, o “carismático” líder do culto, Robert Jay Mathews, vivido pelo sempre brilhante Nicholas Hoult, que conquista seus seguidores com uma voz mansa e um olhar falsamente bondoso, que mascara os horrores de seu discurso eugenista. Do outro, Terry Husk, o agente do FBI, emocionalmente desgastado e de comportamento impulsivo, ao contrário de seu opositor que é sempre calculista e sereno.
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Através da persona de Husk e do Xerife da cidade – que nega os acontecimentos e jura que não existem atividades criminosas no local – o diretor desconstrói essa ideia de “policial mocinho”, denunciado a falta de preparo do Estado ao lidar com uma ameaça terrorista. Até a polícia finalmente conseguir qualquer resultado concreto, vidas inocentes serão sacrificadas nesse jogo de gato e rato.
Dirigido pelo Australiano, Justin Kurzel, o filme foge dos clichês ufanistas que estamos acostumados a ver em algumas obras de Americanos. Em A Ordem, ao invés de retratar o aparato governamental dos Estados Unidos como o salvador inabalável, o diretor expõe uma realidade crua de vista grossa de alguns funcionários públicos e despreparo de outros, levando a diversas empreitadas frustradas, enquanto Mathews e seus seguidores ganham força. Ainda que sejam parados eventualmente, a doutrinação de ódio consegue se espalhar no tempo em que as forças estatais falham para agir de forma eficaz. E mesmo o final, que a princípio pode parecer satisfatório, entrega que Mathews ainda conseguiu, de certa forma, escolher seu destino, mantendo viva sua mensagem nefasta. A Ordem é baseado em eventos reais, e hoje, mais de quarenta anos depois, percebe-se que esses grupos radicais ainda subsistem e ganham mais força a cada dia. O Estado pode ter ganho algumas batalhas, mas com tamanha ineficiência, que mesmo as poucas vitórias não tiveram resultados tão expressivos assim.