sex, 24 maio 2024

Crítica | Amigos Imaginários

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      John Krasinski se provou um diretor competente trabalhando com a tensão em sua série de filmes pós-apocalípticos “Um lugar silencioso”, mas agora seguindo em uma direção totalmente diferente, Krasinski se aventura em uma jornada infantojuvenil das mais lúdicas possíveis. Existem alguns precedentes de realizadores como Robert Rodriguez que conseguiram algum sucesso transitando entre lugares tão distintos, resta agora compreender se esse é mais um caso com a chegada do longa Amigos Imaginários.

      O filme acompanha Bea (Cailey Fleming), uma garota um tanto reservada que passa por um momento difícil ao ter que lidar com a perda de sua mãe e o adoecimento de seu pai. É nessa situação que a jovem conhece Cal (Ryan Reynolds), seu novo vizinho, que fica impressionado ao descobrir que Bea também pode ver amigos imaginários, assim como ele.

      É uma história que aborda seu conceito de uma forma semelhante à alguns desenhos consagrados nos anos 2000 como Mansão Foster para Amigos Imaginários ou até mesmo Padrinhos Mágicos e nesse sentido Krasinski foi feliz construindo essa sua versão específica para abordar uma nova geração. Esse lado fantasioso é carregado do bom humor que sustenta esse filme em oposição ao seu lado melodramático, e além de ser uma fantasia no geral bem humorada, o filme também se permite em momentos a mostrar visualmente o potencial criativo que acompanha a mente de uma criança. Talvez no fim essa seja a beleza em abordar esse tema: valorizar a mente criativa.

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      Falando dos amigos em si, existem para todos os gostos, de cachorro voador à copo de água gelada consciente. Mesmo focando a história em 2 ou 3 deles, o filme ainda se diverte com a pluralidade de formas, tamanhos e conceitos e isso também consegue manter a história andando. A dinâmica de Bea e Cal como uma espécie de dupla de investigadores/assistentes sociais trabalhando a serviço desses amigos funciona dentro do tom escolhido para o arco de Bea, onde a maturidade precoce aparece também como fuga de si mesmo, mas talvez acabe não passando tanto sentimento dentro de um filme que se esforça muito para pontuar suas viradas dramáticas ao ponto delas soarem um pouco forçadas.

      É nesse lado dramático que o filme encontra seus pontos mais frágeis. Por mais que seja evidente o esforço de Krasinski em trazer um sentimentalismo para essa história (inclusive se auto inserindo como catalisador de sentimento no filme), é no desenvolvimento dos amigos imaginários em si que o filme acaba perdendo gás. Se a parte lúdica até funciona quando os amigos estão em cena, o lado do drama relacionado a eles acaba soando como uma série de resoluções um tanto superficiais e que no fim não passam de arcos periféricos em relação a única personagem que esse filme parece conseguir dar conta, sua protagonista.

       Krasinski num geral entrega um produto coeso, mas pouco marcante. Ficando num meio termo entre diversão e sentimento, Amigos Imaginários é um filme talvez divirta muitas crianças mas que não tem tanto mais a oferecer.

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Fabrizio Ferrohttps://estacaonerd.com/
Artista Visual de São Paulo-SP
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