Agatha Christie, é considerada a melhor escritora de novelas policiais de todos os tempos e todo esse talento pode ser conferido em um dos seus exemplares mais instigantes e charmosos o “Assassinato no Expresso do Oriente”, livro que ganha esse ano um remake e traz Kenneth Branagh não só na direção, mas também como interprete do detetive belga Hercule Poirot, o grande personagem das tramas da rainha do crime da literatura inglesa.

É sempre uma grande responsabilidade contar (ou nesse caso recontar) uma história de sucesso, porém é aceitável que quem dirige a adaptação queira colocar seu ponto de vista e adicionar algo de diferente para dar a obra a “sua cara”. Contudo, é importante tratar o enredo com consideração e coerência, e nesse quesito o filme falha.

A trama é simples. Um milionário (Johnny Depp) é misteriosamente assassinato na cabine do lendário e luxuoso Expresso do Oriente na primeira noite de uma aparentemente inocente viagem. O assassino? É um dos 13 desconhecidos a bordo do trem que está preso em uma nevasca.

Divulgação/20th Century Fox

Alguns acontecimentos que não constam na obra original são introduzidos no filme, mas com sinceridade não contribuem em nada para o enredo e apenas atrapalham o seu desenvolvimento, tais fatos adicionados servem para alongar a trama em uma história que não necessita de nada disso. Mas nem todas as alterações feitas no filme são ruins.  Branagh nos apresenta um Hercule Poirot divertido, carismático e com um leve TOC, algo bem diferente do personagem do livro que é egocêntrico e até um pouco esnobe. Branagh assim acerta fazendo com que nos importemos com o “Melhor detetive do mundo”, como ele mesmo se intitula.

O restante do elenco formado por, Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força), Michelle Pfeiffer (Mãe!), Josh Gad (A Bela e a Fera), William Dafoe (Jhon Wick), Judi Dench (007) e Johnny Depp (Piratas do Caribe) está bem em seus papéis, dentro de suas limitações de tempo, afinal são muitas estrelas em um filme que peca em sua organização fazendo com que não tenhamos tempo de conhecer  todos os personagens.

A escolha de determinados planos de filmagem são estranhos, para não dizer más escolhas. A filmagem da cena do crime é a prova disso. Ela foi feita com a visão vista de cima para mostrar os vestígios deixados pelo culpado, porém a câmera quase não presta atenção aos pequenos detalhes que são importantes para a coerência da história. A estética do filme é linda. Os momentos  de flash back, preto e branco são espetaculares e muito bem realizados.

Divulgação/20th Century Fox

Entre erros e acertos Assassinato no Expresso do Oriente é uma boa pedida para ver no cinema. Recentemente foi confirmada uma sequência para o filme e não será difícil imaginar após sair da sessão qual será a nova aventura de Hercule Poirot nas telonas.