Crítica | Assunto de Família, vencedor da Palma de Ouro em Cannes

Osamu (Lily Franky) e seu filho Shota (Jyo Kairi), ao retornarem sua casa depois de roubar o mercado local com muita engenhosidade, encontram uma garotinha sozinha, passando frio e necessidade. Não se fazem de desentendidos e levam consigo. Sem muita conversa sobre o ato.

As pessoas se gostam independente de algumas escolhas e circunstâncias. Todos se sentem muito bem aninhados sob as asas da avó Hatsue (Kirin Kiki), sobretudo, eles dependem dela financeiramente.


A dramaturgia é tão vasta e bem articulada que contestamos os métodos dos pais apenas quando os filhos começam a fazê-lo, especialmente na medida em que Shota coloca em xeque o roubo em propriedade alheia.

Hirokazu Koreeda faz um filme de várias camadas, concebendo um grupo cuja singularidade é compreensível totalmente com a instauração da crise. O roteiro trabalha habilidosamente todas as informações. O elenco é coeso, trabalham em conjunto, o desempenho de Mayu Matsuoka é um dos principais pontos que se sobressaem. A matriarca é completamente magnética.

Assunto de Família não minimiza os erros graves de seus personagens, mas convida lançarmos um olhar apurado em direção à humanidade, a bondade sobrepujando atitudes absolutamente reprováveis. O amor é um sentimento que pode nascer e ser cultivado em qualquer circunstância e relação. A cumplicidade e afeto que nascem lentamente nos relacionamentos diários e o toque que cura a solidão e o abandono ganham vida em sequências belíssimas.

Assunto de Família se demora nas cenas do cotidiano, para nos tornar parte dela e nos leva a pensar em tudo o que ela está pensando sem dizer uma palavra. Essa obra é sem dúvidas necessária para todo mundo.

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