Crítica | Bacurau

A Guerra de Canudos foi o maior movimento de resistência à opressão dos grandes proprietários rurais, que ocorreu entre 1893 e 1897, no arraial de Canudos, uma comunidade do Sertão da Bahia. Esse movimento refletia a situação de miséria em que viviam as populações marginalizadas do Sertão Nordestino, mostrando um povo que não se rende, independente do desafio e do adversário. Exatamente por isso, Bacurau novo filme de Kléber Mendonça e Juliano Dornelles é um filme único, que busca nas raízes do DNA nordestino a motivação para contar essa história que é um clássico “Tarantinesco” violento, atual e recheado de críticas a política brasileira!

A sinopse do filme é curiosa e pra lá de instigante: Quando um povoado simplesmente some do mapa e uma série de assassinatos misteriosos começa a acontecer, a comunidade se une para preparar a reação. E não espere um diálogo pacifista e conciliador. A regra que impera nesta terra esquecida é matar ou morrer. O roteiro é um dos vários pontos positivos dessa obra. A criação da cidade fictícia de Bacurau é feita com muito esmero e atenção, o povo da cidade é utópico! Aqui não há preconceitos, cultura e a educação são muito valorizados, o senso de comunidade é forte. A realidade que o país vive é exposta pelos roteiristas, Mendonça e Dornelles, de modo sutil e em alguns momentos subjetivo. Neste filme o foco não é a política (mas o é que visto, infelizmente, lembra muito a nossa situação atual), mas ela não é esquecida durante a projeção.

O longa tem sua trama construída gradualmente, revelando passo a passo a situação que estamos vendo. Temos humor, suspense e até um toque de sci-fi. As cenas são de uma estética única, destaque para a cena que envolve um ataque com Mosquetes (arma típica do nordeste) e para a fotografia, que destaca as lindas paisagens do sertão, são cenas de tirar o fôlego. O núcleo de atores é formidável! Udo Kier (Carne para Frankestein) interpreta um vilão memorável nesse longa. Sônia Braga empresta sua elegância para interpretar a guerreira Domingas, médica da cidade. O restante do elenco tem seus momentos para brilhar, destaque para Silvero Pereira que faz o intrépido e perigoso Lunga.


Bacurau é um filme que toca em todas as feridas da nossa sociedade. Temos crítica a questão da glamourização do armamento, a questão da xenofobia e a violência exacerbada, além de algumas alfinetadas a política atual. Um longa para ver e refletir. Este longa deve estar na premiação do Oscar em 2020 de melhor filme estrangeiro. Uma obra sanguinária e intrigante! Um dos melhores filmes do ano!

Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
O pagode anos 90 moldou meu caráter.

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