Crítica | Black Mirror: Bandersnatch

Criar uma experiência interativa com um filme seria algo muuuuuuito Black Mirror, e foi exatamente isso que a Netflix fez com Bandersnatch! O conceito já imaginado por milhares de fãs da série se tornou realidade no filme que acabou de ser lançado hoje (28/12) e com certeza vai ser um sucesso entre os usuários da plataforma!

Bandersnatch tem como peça principal o excelente Fionn Whitehead (também protagonista de Dunkirk), que no filme é Stefan, um jovem programador que resolve transpor uma aventura com mesmo nome do filme, com todas as suas múltiplas escolhas, para um jogo de computador. A ideia de se adaptar algo tão complexo criam reflexões sobre livre-arbítrio e controle externo.  Também estão no filme Will Poulter e Asim Chaudhry.


Mas claro, o protagonista neste caso somos nós, os espectadores. A experiência interativa dá as caras logo no início do filme, quando já podemos escolher até de qual cereal Stefan quer para o café! E é com essa ideia que o filme nos coloca totalmente no controle de tudo que vai acontecer.

Tecnicamente (excluindo logicamente os conceitos de roteiro), o final é absolutamente criado pelas nossas escolhas. E são muitas escolhas por sinal.

O roteiro em si, a princípio, gira em torno do desenvolvimento do jogo para uma produtora e do trauma que Stefan carrega por causa da perda de sua mãe. Isso não é spoiler, pois faz parte de todas as interações possíveis. Utilizando disso como plano de fundo, algumas escolhas podem fazer o filme se estender muito e parecer um pouco ilógico, outras simplesmente devem ser repetidas. A necessidade de repetição de algumas escolhas existe justamente porque seria impossível ter tempo e roteiro para cada escolha feita e sua ação posterior. Por isso, e por uma lógica de se terminar o filme – mesmo que de várias formas – algumas escolhas são obrigatórias.

Mas aqui também existe um cuidado lindo sobre o nosso livre-arbítrio durante o filme. Caso você escolha uma opção que te obrigue a voltar na decisão dela mesma, e a escolha novamente, as cenas posteriores serão sutil ou drasticamente alteradas, mesmo se optando pela mesma coisa.

Outros detalhes ficam a cargo das escolhas iniciais que são reapresentadas como easter eggs durante o restante do filme!

Uma particularidade que sempre existiu em tudo que envolve Black Mirror é o conceito de repensar modos e ações da vida real. Bandersnatch trás para nós a visão única de que podemos fazer nossas escolhas na vida e que por mais que pareça, NINGUÉM está no controle nas nossas decisões; e ainda que tomar decisões baseadas nos outros não nos leva a lugar nenhum. Isso serve pra todo tipo de aplicabilidade (religião, sexo, política, gostos, comida, tudo!) e reforça – mesmo não devendo ser necessário – que nós somos responsáveis pelo que escolhemos e por suas consequências; e que ainda temos esse direito, independente das escolhas que as vezes são feitas por nós!

E claro, Bandersnatch também nos trás frustrações, criando finais abruptos e sem sentido – se é que existe algum sentido linear para algum – justamente para forçar o retorno a uma lógica “mais correta”, que positivamente para a Netflix, garante mais tempo de visualização. É claro que, caso você chegue a um final e desista, continua sendo uma escolha sua!

A crítica ficaria muito extensa se resolvesse falar das possibilidades e dos finais apresentados, mas a dinâmica dos acontecimentos, o roteiro base e a lógica da interação faz com que Bandersnatch seja o primeiro de muitos filmes neste estilo.

Por fim, em todos os sentidos, façam as melhores escolhas possíveis; e saibam arcar com as consequências! 😉

Uillian Magelahttps://estacaonerd.com
Co-Criador do Estação Nerd. Chamo ele de filho sim. Já fui crítico para o Blog Preguiça Alheia e para a CINEART. Palestrante nas edições da Campus Party. Mantenho a paixão por cinema desde criança e meu maior sonho é ter um sabre de luz para cortar a lua ao meio. A, SEMPRE escolha a pílula azul. Não faça como eu!

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