qui, 4 junho 2026

Crítica | Brasil 70: A Saga do Tri

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Copa do Mundo está para começar e o mundo respira futebol. Que tal falarmos sobre uma produção que trata sobre o tem? Já está disponível na Netflix a minissérie Brasil 70: A Saga do Tri. A produção recria os momentos mais emocionantes dos jogadores protagonizaram a campanha seleção brasileira de futebol no mundial de 1970.

Na verdade o show vai muito mais além do que a sinopse revela. A produção intercala uma narrativa sobre esporte, política e drama humano. Em cinco episódios, a minissérie dirigida pelo trio de diretores: Paulo Morelli, Pedro Morelli (Cidade dos Homens) e Quico Meirelles (Pico da Neblina) mergulha nos bastidores da maior (e melhor) seleção do futebol brasileiro, explorando os conflitos internos que aconteciam entre os jogadores, as estratégias do técnico Zagallo e a pressão criada pela expectativa “do país do futebol” em cima dos atletas.

Um dos grandes méritos da série é mostrar que a conquista no México não aconteceu apenas dentro das quatro linhas. O cenário político da época tem uma importância monumental sobre como o futebol da seleção foi moldado. Em especial, nos momentos em que a trama destaca como a ditadura militar usou o sucesso da equipe dentro de campo como ferramenta de propaganda nacionalista. Assim a história consegue contextualizar muito bem o momento político da época sem se tornar um documentário.

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A série impressiona pela sua apurada qualidade técnica e consegue combinar imagens de arquivo restauradas com cenas dramatizadas muito bem. O CGI, usado na construção dos estádios, soa um pouco plástico demais (leia: artificial). Mas nada que comprometa. As cenas que recria jogadas históricas são muito bem feitas e o futebol é bem filmado dentro das quatro linhas.

O roteiro é ótimo! O texto escrito consegue mostrar os dramas e motivações de cada um dos personagens centrais da história. Talvez apenas o episódio focado na semi-final da Copa de 70, contra o Uruguai, derrape um pouco e tenha um ar quase que dê comédia em alguns momentos, destoando do restante dos episódios. Mas no fim a produção consegue contornar isso muito bem.

O elenco está recheado de camisas 10. Lucas Agricolas (em seu primeiro trabalho na TV) encarna Pelé sem parecer uma imitação e tem uma atuação impressionante. Rodrigo Santoro (300) como João Saldanha se entrega de corpo e alma. Bruno Mazzeo (Cilada) entrega uma atuação contida e sem tantos maneirismos e humaniza a persona de Zagallo, tirando ele do imaginário coletivo e dando razões para suas ações. Nenhum dos personagens centrais é um herói, todos tem suas inseguranças, conflitos e responsabilidades exploradas e isso faz com que todos os atores do elenco tenham seus momentos para brilha na produção.

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Brasil 70: A Saga do Tri é uma obra recomendada tanto para apaixonados por futebol quanto para quem se interessa pela história política do Brasil. Mais do que celebrar uma conquista esportiva, a minissérie convida o espectador a refletir sobre como o esporte pode influenciar um país. Assista a esse golaço e que a produção e que ela inspire nossos craques nesta Copa do Mundo.

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Hiccaro Rodrigues
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]
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