qua, 28 setembro 2022

Crítica | Cano Serrado

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A valorização da macheza no cinema de ação não é novidade, ainda mais transpondo o gênero para a realidade do Brasil. Neste país onde se idolatram figuras que exalam hombridade e supostos valores mas quase sempre sendo espelhos para o que há de mais questionável na formação de nossa cultura, chega Cano Serrado, filme de Erik de Castro que trás a estética do western para o contexto do Brasil de hoje.

O filme acompanha Luca (Jonathan Haagensen), que é policial e acompanha uma caravana de sua igreja rumo ao interior do país ao lado de seu colega de profissão e amigo Manuel (Paulo Miklos). Tudo corria bem até ambos serem emboscados por um grupo militar sedento por vingança e liderados por Sebastião (Rubens Caribé). A partir daí, o longa entra na chave de thriller de ação onde a resistência física e psicológica de Luca é posta à prova enquanto acompanhamos em paralelo as investigações de um grupo de policiais que buscam revelar os reais acontecimentos por trás de tudo isso.

A representação destes agentes da lei violentos que quebram as mesmas leis que representam em função de uma auto-proclamada justiça é posta em xeque na medida em que o filme busca revelar as contradições morais destes personagens mas ainda assim não existe um aprofundamento nestas questões que valorize esse aspecto do filme. O interesse da trama é mais em uma questão de culpa tradicionalmente cristã que vai se intensificando ao passo que elementos do mistério vão se desvendando pouco a pouco. As boas atuações de seus dois personagens principais, com destaque para Caribé como Sebastião, não compensam a forma superficial com a qual a trama é levada.

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Muito tempo da história é gasto em torturas prolongadas e diálogos pouco inspirados que acabam atenuando o impacto da história. No cerne de tudo ainda existe uma narrativa que permite reflexões sobre questões como consequência, moral, justiça, entre outras coisas, mas a conclusão do longa acaba caindo num discurso moralista que pouco diz sobre toda a problemática apresentada anteriormente.

Cano Serrado é um retrato sólido de elementos do Brasil, mas como longa de ação e para além do retrato não deixa sua marca. As contradições dos personagens vazando para a forma que a narrativa lida com os acontecimentos e a falta de senso crítico ao lidar com os mesmos acontecimentos impedem que o filme encontre seu lugar para brilhar.

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Fabrizio Ferrohttps://estacaonerd.com/
Artista Visual de São Paulo-SP

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